Jundiaí

"As redes sociais podem, ou não, ser benéficas"

LINHA TÊNUE Tecnologia pode alavancar negócios, mas precisa ser usada com cuidado e avaliação crítica, principalmente em relação à disseminação do ódio


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A especialista em digital, Isabela Silva, diz que as redes sociais podem ser benéficas ou não, dependendo do uso
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Essa semana uma queda em três das principais redes sociais - WhatsApp, Instagram e Facebook -, todas da multinacional Facebook, deixou 2,8 bilhões de pessoas sem acesso aos serviços em todo o mundo.

No Brasil, as plataformas são usadas por mais de 150 milhões de pessoas e são a base do negócio de muitos pequenos empreendedores. Neste cenário, as redes sociais são uma necessidade, mas ao mesmo tempo uma preocupação, principalmente no que se refere ao uso excessivo, que pode até mesmo prejudicar a saúde mental.

Para a especialista em marketing digital, Isabela Regina Silva, a internet e as redes sociais precisam ser vistas como uma ferramenta que veio para ajudar. "Sabemos que há problemas, mas o digital só veio para alavancar muitas coisas boas. Depende realmente do ser humano, se quer fazer algo bom com todas as possibilidades que a tecnologia abre, ou não", pontua.

O Ministério da Saúde vem trabalhando exatamente nessa linha, ao orientar a população sobre o limite entre o benéfico e o maléfico, no que concerne às redes sociais. "Mas o importante é lembrar que a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. Basta uma porção de senso crítico e de sabedoria para filtrar os benefícios que esses meios podem oferecer. A rede social precisa ser uma aliada do seu bem-estar e não do seu adoecimento", divulgaram, em campanha de incentivo ao "unfollow terapêutico", uma prática sugerida pelo ministério que prima por "deixar de seguir" todas as pessoas que compartilham conteúdos tóxicos ou que não estão de acordo com o que você acredita ser saudável.

Recentemente, uma reportagem veiculada pelo Fantástico expôs pessoas que fazem do "hate" (ódio) algo diário. São usuários de internet, especialmente das redes sociais, que comentam coisas negativas e discriminatórias em conteúdos de outras pessoas, pelo simples prazer de deixar a outra pessoa infeliz. Em entrevista, um deles alegou que "o que ele mais gosta é quando a pessoa fica depressiva de verdade, inclusive com pensamentos suicidas".

É nesse sentido que a campanha governamental propõe o uso consciente das redes sociais, sem permitir que a exposição a pessoas que praticam essas atitudes afetem a saúde mental.

ALAVANCANDO NEGÓCIOS

Para a empreendedora Aline Baroni, 38 anos, as redes sociais, principalmente os aplicativos de mensagens instantâneas, são a base de seu negócio. A jovem vende produtos importados. "Tenho grupos de mães no WhatsApp e Telegram, onde eu envio as opções de enxoval. Por isso essas plataformas são tão importantes."

No dia em que as redes sociais ficaram fora do ar por 7h, ela precisou recorrer a telefonemas para manter suas vendas, já que o site ainda não está pronto para ir ao ar. No dia, até mesmo o Telegram apresentou instabilidade, devido ao pico de acessos.

A especialista Isabela Regina explica que quedas como essas já ocorreram em outras ocasiões. Em sua opinião, é importante ter sempre um plano B, como um site institucional, uma loja virtual e outros meios para contatar seus clientes.

"Como já aconteceu com outras redes sociais, foi normal porque eu entendo que temos que trabalhar outras frentes. Temos que ter outras ferramentas, como sites, que permitem que a gente mantenha outras frentes. Os que são novos e tiveram esse baque pela primeira vez, eu expliquei que tudo volta aos poucos", explica Isabela.

USO DA INTERNET

O uso da internet no Brasil chegou a 152 milhões de pessoas, representando 81% da população no país, entre 2020 e 2021. É o que destaca a pesquisa "TIC Domicílios 2020", elaborada pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), apoiado pela Unesco, e pelo Cgi.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil).

Segundo os dados, a proporção de usuários de internet aumentou principalmente entre moradores de áreas rurais: 70% em comparação com 53% da pesquisa de 2019. A participação de pessoas com 60 anos ou mais no mundo on-line também aumentou, de 34% para 50% no mesmo período.

O setor educacional teve destaque no mundo on-line nesse contexto pandêmico. A classe C realizou mais cursos a distância (18%) e estudo por conta própria (45%). Contudo, as proporções ainda são inferiores à da classe A. Mas não é só isso. Acontecendo em boa parte do ano de maneira remota, a educação tradicional incentivou o aumento das atividades escolares. Entre 10 a 15 anos, os alunos realizaram 91% dos trabalhos escolares pela Internet.


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