Jundiaí

Falta de suporte ginecológico afeta a saúde menstrual


                      ALEXANDRE MARTINS
Políticas de saúde não são sempre constantes e vão além de absorventes
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Além da pobreza menstrual, caracterizada pela falta de recursos para manter a higiene durante o ciclo, o tratamento ginecológico também exige atenção, já que a falta de recursos financeiros afeta a oferta e eficácia de tratamentos.

A endometriose, por exemplo, distúrbio que acarreta o crescimento de tecido fora do útero, costuma gerar fortes dores durante o período menstrual e afeta cerca de 10% da população feminina brasileira, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sendo mais frequente entre mulheres de 25 a 35 anos de idade.

Segundo a ginecologista e obstetra, Erica Cristina Furlan Moreira a endometriose é uma cólica que piora a cada mês e tem difícil controle com medicamentos. "Miomas também podem causar dor. No ovário policístico, o que considero prejuízo de função é que ele causa irregularidade no ciclo e pega a mulher de surpresa. Essas doenças não têm cura, apenas controle de sintomas."

A principal alternativa é o anticoncepcional, mas tem paciente em que não funciona. "O DIU hormonal é uma opção também, mas é difícil colocar pelo SUS e tem um custo elevado se você paga, então não é acessível para toda a população. Em último caso, há o tratamento cirúrgico", explica.

Erica fala que a endometriose pode incapacitar a mulher caso seja severa. "É uma dor que pode ser incapacitante e a mulher fica sem condição de produzir nada. Houve um projeto de lei para que as mulheres com endometriose tivessem afastamento no período menstrual, mas caiu por terra, nem falam mais."

A médica se refere ao Projeto de Lei 6784/16, que foi rejeitado no fim de 2018 e previa afastamento de mulheres do trabalho por até três dias ao mês.

CONDIÇÃO

A autônoma Fernanda Richieri Pinheiro tem endometriose e precisou passar por uma intervenção cirúrgica quando descobriu a condição. "Descobri porque eu não conseguia engravidar. Fui ao ginecologista, fiz exames e não acusou nada, então precisei fazer exames mais específicos. Fiz o CA125, que acusou. A endometriose tem quatro graus e eu já estava no 4º grau quando descobri."

Ela sentia cólicas normais, mas a endometriose já tinha tomado aderência. "Fiz ressonância e minhas trompas já estavam deformadas, então precisei fazer cirurgia", conta.

Fernanda acredita que o tratamento público possa ser menos efetivo. "Acredito que pelo SUS deva ser mais precário. Só fiquei sabendo por exame, mas precisei ir a outro médico para ele pedir. Se na rede pública não tem absorvente, que dirá cirurgia de endometriose. E a endometriose não é algo de que se fala sempre. Há uma falta de conhecimento."

AMENIZAR

Com o objetivo de arrecadar e distribuir absorventes à famílias em vulnerabilidade social, as amigas Catarina Rodrigues e Ana Clara Canalli Angeli criaram o Absorve Jundiaí. A ideia surgiu após o presidente Jair Bolsonaro vetar o projeto de lei da distribuição gratuita de absorventes.

"Eu sempre estudei em escola pública e sei como é para as meninas. O governo do estado tem o projeto em escolas para as meninas retirarem absorventes na diretoria, mas até ser algo que chega a todas e é sólido, vai tempo."

Ana diz que já arrecadou 140 pacotes de absorventes e agora está entrando em contato com entidades para fazer a distribuição. "Arrecadamos só absorventes normais por enquanto, mas também aceitamos interno, calcinha menstrual, coletor."

O Instagram onde Ana divulga o projeto e recebe o contato de quem deseja doar é o @absorvejundiai.

(Nathália Sousa)


Notícias relevantes: