Jundiaí

Dinamismo econômico muda a identidade das ruas

CRESCIMENTO URBANO Com a chegada de novos comércios e condomínios e a saída de antigos empreendimentos, ruas de Jundiaí alteram seus perfis


                                            ALEXANDRE MARTINS
A rua Rangel Pestana, conhecida antigamente como a 'rua dos bancos', atualmente vem mudando seu perfil
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O crescimento urbano de Jundiaí nos últimos anos é inegável. Com a chegada de novos comércios e condomínios de luxo e a saída de antigos empreendimentos, as representações das ruas do município perderam a identidade, como visto na Rangel Pestana, no Centro, Vila Arens e rua do Retiro.

Entre mudanças como a entrada e saída de comércios e a expansão territorial da cidade, as ruas de Jundiaí vão alterando seus perfis. Um exemplo é a rua Rangel Pestana, localizada no Centro. Conhecida pelos moradores mais antigos como a 'rua dos bancos', a via não apresenta mais bancos como antigamente, pois boa parte deles foi substituída por outros comércios.

De acordo com o arquiteto Araken Martinho, essas mudanças acontecem de forma dinâmica e é quase impossível de prever. "Essas alterações acontecem de forma muito dinâmica e natural, um claro exemplo disso foi o que aconteceu na Vila Arens, que tinha grande potencial de virar um centro comercial, mas com o tempo foi perdendo essa imagem", afirma Martinho.

Segundo o arquiteto, essa perda de identidade das ruas acontecem, pois não houve planejamento organizacional quando foram pensadas, como foi o caso da rua do Retiro. "A rua do Retiro não foi pensada como comércio, mas virou comercial com o passar do tempo e a chegada de novos empreendimentos no local, tudo isso de forma muito rápida", afirma o arquiteto.

Outro exemplo que pode ser citado é em relação ao Distrito Industrial da cidade, que também vem apresentando mudanças com o passar dos anos. "Pode-se perceber o desaparecimento das indústrias no Distrito Industrial que ainda não foram substituídas", diz Araken Martinho.

MUDANÇAS

De acordo com o arquiteto Eduardo Carlos Pereira, as representações das ruas podem ser sentidas pelos pedestres e comerciantes do local. "Alguns pontos específicos apresentaram mudanças de função e uso, como as grandes construções dos bancos com seus projetos de qualidade e que agora estão se tornando obsoletos, acho que merecem um reúso com acerto e que preserve aquelas características de boa arquitetura", afirma Pereira.

Para o proprietário de uma barraca de frutas da Rangel Pestana há 28 anos, Geraldo Roparoni, pode-se notar mudanças significativas na rua. "Nos últimos anos mudou bastante, principalmente com a chegada de empreendimentos mais modernos e a saída de bancos que estavam aqui antes de eu começar a trabalhar nesta rua", pontua Roparoni.

Outra grande alteração, segundo Roparoni, foi a retirada de um ponto de ônibus na rua, visto de forma negativa por ele e outros comerciantes do local. "Um dos pontos de ônibus da rua foi retirado, diminuindo bastante o fluxo de pedestres nas calçadas, no meu ponto de vista foi uma mudança prejudicial para todos que trabalham nas proximidades", afirma o comerciante.

A proprietária de uma relojoaria do Centro há mais de 30 anos, Teresa Tani, também percebeu o grande número de novos comércios que se instalaram nas ruas. "Quando construí minha relojoaria na Rangel Pestana, havia poucos comércios nesta via, pois todos se concentravam nas ruas Barão de Jundiaí e Rosário. Hoje em dia é muito comum ver a chegada de novos comércios aqui, como lojas de roupas, lanchonetes e pequenos mercados", diz a proprietária.

Segundo Teresa, essa mudança de perfil da rua foi benéfica para seu estabelecimento. "O movimento começou a melhorar de uns anos para cá com a chegada dos novos pontos comerciais, pois as pessoas que passavam pela rua apenas para ir aos bancos agora também vêm para fazer compras", afirma.

CRESCIMENTO URBANO

Além dos comércios, a chegada de novos condomínios de luxo nos últimos anos também contribuiu para o crescimento urbano e atraiu mais pessoas ao município. De acordo com o arquiteto Eduardo Pereira, os novos loteamentos fechados estão tomando conta das áreas periféricas e rurais da cidade. "Novos empreendimentos decorrentes da pandemia são evidenciados em todo lugar que você vá, um dos aspectos que mais cresceram neste período foi a chegada dos condomínios de luxo", diz.

Muitos destes condomínios são construídos em áreas verdes e com certa proximidade da Serra do Japi. Para o arquiteto Martinho, este é um dos pontos negativos destas grandes construções, em razão disso, aposta na verticalização como solução para este crescimento excessivo. "O crescimento vertical da cidade é inevitável e é uma solução viável e organizada para evitar que o crescimento urbano afete a área rural do município. A chegada de novos condomínios é um alerta para a preservação da Serra do Japi e o planejamento habitacional de Jundiaí", afirma Martinho.

 


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