Jundiaí

Financiamento alto assusta, mas ainda é principal via de compra

MERCADO IMOBILIÁRIO A taxa Selic deve ter mais um aumento na próxima semana, mas há quem busque alternativas para conseguir a compra a prazo


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Ademir Boscolo diz que a maioria dos clientes prefere o financiamento
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Com os aumentos sucessivo mês a mês da taxa Selic, os financiamentos de imóveis acabam ficando mais caros e algumas pessoas têm buscado alternativas, como as permutas.

Em Jundiaí, segundo pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) feitas com imobiliárias de Jundiaí e Região, a venda de imóveis vem em queda desde maio, quando houve o auge deste mercado. Em agosto, as vendas foram 0,88% menores que em julho, que por sua vez registrou queda de 19,9% em relação a junho. De maio para junho, a queda foi de 18,8%.

Atualmente, a Selic, utilizada como base para cálculos de juros, está em 6,25% ao ano, mas o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá novamente na próxima semana para mais uma elevação, que deve ser de, no mínimo, um ponto percentual.

ALTERNATIVAS

Embora a procura por imóveis ainda seja maior que a oferta em Jundiaí, algumas pessoas têm fugido do financiamento usual e procurado outras vias. Segundo o corretor Wesley Roger Ventura Dias, há vias para fugir da Selic na compra do imóvel. "Um caminho pode ser uma condição comercial de negociação. Se o proprietário exigia uma entrada de R$ 50 mil, o profissional das vendas negocia e consegue que o cliente dê R$ 30 mil e pague o restante depois sem precisar financiar este montante. Outro caminho é saber lidar com o consórcio. Existe uma forma estratégica para conseguir o resgate não muito tarde e sem juros, só com correção", explicas Dias.

Cliente do corretor, a auxiliar de cobrança Stephanie Caroline Moura tinha planos para comprar um terreno através do financiamento habitacional do governo, mas precisou trocar. "A gente tinha tentado pelo Minha Casa, Minha Vida, mas agora estamos com o financiamento normal da Caixa porque não tem mais o programa. O outro era melhor, mas a gente estava sem opção porque não tem mais o Minha Casa, Minha Vida. A gente sabe que são muitos anos pagando, então vai ter surpresa, mas Deus proverá."

PERMUTA

Outra opção para quem deseja reduzir um financiamento é a permuta. O auxiliar administrativo Rogério de Jesus Cumin tem um apartamento e busca uma casa em permuta para ter mais espaço. "A gente quer mudar para uma casa e tem muita gente querendo um apartamento por causa de segurança. O apartamento fica em condomínio, então eu tento uma troca. Apareceram algumas oportunidades, mas os dois lados têm que estar satisfeitos para dar certo. Não estou com pressa, moro no apartamento há 14 anos e gosto de lá, mas minhas filhas, de oito e 11 anos, são ginastas e queria também um espaço para elas treinarem."

Rogério diz que este tipo de negócio exige cautela e o mercado imobiliário em Jundiaí está supervalorizado. "Financiamento está alto, mas às vezes nessa negociação eu consigo tirar a diferença dos juros do financiamento, abater o que vou pagar de juros no que eu pedir. Hoje está difícil, quem tem imóvel, está valorizando demais, fora o financiamento", lamenta.

Corretor de imóveis, Ademir Boscolo tem um imóvel em permuta, mas é próprio. "A única casa que estou vendendo por permuta é a minha. Estou vendendo por causa de divórcio. Vamos dividir o valor da casa, então não tem problema, aceito permuta. As outras casas que eu vendo, ainda têm 90% de procura por financiamento. Os clientes procuram as melhores ofertas de juros, mas financiam."

Boscolo fala que a opção no momento para fugir da Selic é mudar a linha de crédito. "Tem a carta de crédito do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que é fixa, usada no Casa Verde e Amarela, e o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), da poupança, que é mais alto, mas não tem surpresa. A linha atrelada à Selic, a gente nem oferece mais porque está inviável."

Ele diz que mesmo assim, o mercado imobiliário em Jundiaí segue efervescente. "O que muda agora é que a procura por imóvel aumentou. Por financiamento, a procura sempre foi grande, muito mais do que permuta. Só que em Jundiaí a procura por imóvel está maior que a oferta e o valor aumentou muito."


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