Jundiaí

Conta de energia já acumula mais de 70% de aumento desde agosto

CUSTO O valor da conta de luz vem tendo sucessivos reajustes neste ano pela combinação da inflação alta e da escassez hídrica, que afeta hidrelétricas


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ECONOMIA DE ENERGIA
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No último sábado, a conta de luz teve mais um reajuste, de 16,4%, pedido pelas concessionárias de distribuição e autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Este aumento, junto à bandeira tarifária atual, a da crise hídrica, 50% maior que a vermelha patamar 2, representa 74% de alta em cerca de três meses.

Em Jundiaí, a concessionária de energia, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), informa que este reajuste da concessionária é praticado anualmente em outubro. (veja ao lado dicas da concessionária para consumir menos energia).

Para quem paga a conta, mesmo que o aumento seja previsto, é mais um diante de vários outros que impactam no orçamento. O pedreiro autônomo José Batista diz que tenta economizar em casa, mas quando as contas sobem, ele acaba subindo o valor de seu serviço para compensar. "Eu não sinto o aumento porque quando sobe conta, subo meu orçamento para os patrões, mas estou economizando, evitando gastar muito, tanto água quanto luz. É bom economizar agora."

A coordenadora de departamento pessoal Adriana Vecchi reclama de mais um aumento. "Está difícil porque o poder aquisitivo das famílias está diminuindo e o salário não sobe para acompanhar. Eu economizo no chuveiro, já trocamos as lâmpadas de casa pelas de LED, a gente tenta economizar, mas mesmo assim está caro."

Ela já faz as contas para ver quanto a família irá gastar. "Somos eu e minha mãe e se a gente pagava R$ 80, R$ 90 na conta de luz no fim do ano passado, agora é R$ 110, R$ 115, mesmo diminuindo o consumo. Espero que no ano que vem melhore, mas é meio imprevisível, falam que aumenta por isso e aquilo, mas acho que a economia está bastante instável", conta ela.]

AUMENTOS

Para se ter uma ideia, em janeiro, a bandeira tarifária era a amarela e o valor adicional cobrado a cada 100kWh utilizados era de R$ 1,35. Na bandeira de escassez hídrica, são R$ 14,20 a mais a cada 100kWh.

O reajuste do último sábado foi justificado principalmente pela escassez hídrica e pela inflação.

Esta última alta na energia foi autorizada pela Aneel em São Paulo, Goiás e Distrito Federal, mas os índices de reajuste foram diferentes, sendo São Paulo o estado com o maior reajuste. Segundo a CPFL, os consumidores de baixa e média tensão tiveram reajuste de 16,4%, mas os de alta tensão também sofreram reajuste, de 5,69%.

Geralmente, consumidores de alta tensão são empresas e comércios grandes, ou seja, além do reajuste residencial, a inflação de produtos e serviços pode aumentar ainda mais, visto que a produção deve ficar mais cara com a energia alta.

Os reajustes tarifários estão previstos nos contratos de concessão e têm por objetivo, segundo a agência reguladora do setor, cobrir os investimentos das empresas e as despesas reconhecidas pela Aneel.

Segundo dados do Ministério das Minas e Energia, em setembro, a quantidade de água recebida por usinas hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste do Brasil e que pode ser transformada em energia estava nos níveis mais baixos dos últimos 91 anos. Com isso, o uso de energia termelétrica tem sido uma alternativa, mas essa geração é mais cara. Neste ano, o uso dessa fonte deve custar R$ 13,1 bilhões aos consumidores, quase 50% a mais que o valor previsto em junho pelo Ministério de Minas e Energia (MME), de R$ 8,99 bilhões.


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