Jundiaí

Em Jundiaí, o número de casos de AVC é o maior em dois anos

SAÚDE 347 atendimentos de Acidente Vascular Celebral (AVC) foram registrados até o momento, o que significa um número superior ao dos anos de 2019 e 2020


                                 ALEXANDRE MARTINS
Renata Zandona sofreu AVC e conta sobre recuperação na pandemia
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O número de casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em Jundiaí é o maior em 2 anos com 347 atendimentos registrados até o momento, contra 275 em 2020, e 323 em 2019, segundo dados da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS). Lembrado hoje no Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral, o alerta dos especialistas para a doença é sobre os sintomas, considerados súbitos, ou seja, acontecem de maneira inesperada.

Segundo o neurologista e professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) Richard Montgomery, os sintomas não são aqueles que se arrastam e evoluem, eles são súbitos, assim como o infarto. "Eventualmente uma fraqueza no braço, uma queda da própria altura, falta de sensibilidade em algum membro e dificuldade de fala são sinais que podem apontar um evento da doença", explica Montgomery.

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) tem dois tipos, o isquêmico e o hemorrágico. O tipo isquêmico ocorre por falta de sangue e oxigenação, já o hemorrágico ocorre por extravasamento de sangue através do rompimento de um vaso cerebral, provocando uma hemorragia.

Segundo o neurologista, os dois tipos de AVC têm causas similares, como a diabetes, o aumento do colesterol, uma rotina sedentária e principalmente a hipertensão arterial sistêmica, condição em que a força do sangue contra a parede das artérias é muito grande.

Foi assim com Renata da Costa Zandona, de 38 anos, que sofreu um AVC hemorrágico em dezembro de 2019. "Eu não me lembro de nada daquele dia. Minha filha conta que eu andava para todos os lados e alegava estar com dor de cabeça, estava inquieta, aconteceu do nada", relata.

No caso de Renata, um aneurisma se rompeu. "Eu tinha quatro aneurismas mas são sabia até então, só descobri após o rompimento, é silencioso", conta.

Devido à pandemia, Renata não conseguiu fazer o tratamento logo após sofrer o AVC. "Por não conseguir tratamento imediato, eu fiz exercícios físicos em casa para não atrofiar. Somente em agosto de 2020 consegui fisioterapia pelo SUS, além de fazer o tratamento com a fonoaudióloga ao longo do ano", relata.

Renata considera sua recuperação um milagre. "No meu caso, os médicos disseram que eu teria apenas 20% de chance de sobreviver, e com sequelas. Hoje eu não tenho nenhuma sequela aparente", conta emocionada.

TRATAMENTO

Ao sofrer um AVC, é importante que o paciente seja levado imediatamente ao pronto-socorro. "O tempo em que a pessoa é levada para o atendimento faz toda a diferença nas possibilidades de tratamento. O tempo é muito importante", recomenda o neurologista.

Em Jundiaí, o tratamento da doença é realizado pela rede de Atenção Básica, como nos Ambulatórios de Especialidades da Faculdade de Medicina (FMJ) e do Hospital São Vicente (HPS) segundo a UGPS. Além disso, em virtude de sequelas, é oferecido atendimento no Centro de Reabilitação Jundiaí (CRJ) e no Núcleo de Apoio à Pessoa com Deficiência (NAPD).


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: