Jundiaí

Mão de obra da construção fica escassa e requisitada em Jundiaí

OBRAS Com o mercado imobiliário aquecido, reformas e lançamentos demandam trabalhadores capacitados, seja os autônomos ou os contratados


Arquivo pessoal
Conselheiro da Proempi, Ricardo Benassi, diz que há falta de mão de obra
Crédito: Arquivo pessoal

De março de 2020, quando a pandemia começou, até setembro deste ano, o setor da Construção Civil contratou formalmente 6.942 pessoas e demitiu 6.211 pessoas em Jundiaí. Ou seja, foram geradas 731 vagas, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Por mais que englobe um período 19 meses, de pandemia, este saldo é de longe o melhor dos últimos anos para o setor na cidade. Em 2017, o saldo de emprego formal na Construção Civil foi -201, em 2018, foi 29, e, em 2019, -38.

Esta tendência é nacional, mas a demanda alta acaba exigindo mais profissionais que o usual. Segundo pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), 77% das empresas entrevistadas alegaram dificuldade de contratar trabalhadores. Do total, 56% alegou que faltam profissionais no mercado, 59% destacou a falta de qualificação e quase 29% disse que o valor da remuneração pedido estava muito elevado.

Conselheiro da Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região (Proempi), Ricardo Benassi, diz que as perspectivas do setor são positivas, mas há essa dificuldade hoje no município. "Às vezes não acha pessoa qualificada. A gente consegue contratar, mas precisamos procurar mais. Há muito tempo a gente tem funcionário que vem de Francisco Morato, Franco da Rocha, já faz parte do dia a dia. Para alguns serviços, a gente contrata empreiteiro, então às vezes vêm pessoas de outros estados contratadas pelo empreiteiro."

Benassi fala que há muitos profissionais que preferem trabalhar por conta e não em construtoras. "Tem muita gente que está acostumada com a informalidade, tem bastante que constrói casa em condomínio por conta, e não se acostuma com o trabalho de forma mais disciplinada, com registro, segurança do trabalho. Então são praticamente duas categorias de mão de obra, gente que trabalha por conta e quem trabalha mais formal."

DEMANDA

Com a pandemia, muitas pessoas também passaram a precisar de reformas em casa, já que o trabalho remoto criou esta demanda. Antonio Passos, de 47 anos, é pedreiro há mais de 20. Ele trabalha com uma equipe de profissionais da Construção. "A demanda está boa, não paramos e até janeiro nossa agenda está lotada. Fazemos empreita e atendemos reforma e construção. Na pandemia, nunca ficamos um dia parados, parece que aumentou a procura. As pessoas estavam mais em casa e podiam acompanhar a obra."

Ele diz que só faz orçamentos para 2022, mas o material está mais caro que a mão de obra. "Continuamos cobrando a mesma coisa de antes. O material está mais caro que o serviço. A barra de ferro era R$ 37, hoje é R$ 85. Temos uma equipe e até queríamos ter mais gente, mas não achamos profissionais qualificados."

Já Taciano Fernandes Cardoso, de 38 anos, que é sócio de uma empreiteira de Jundiaí, conta que alguns trabalhadores são difíceis de encontrar. "Há bastante mão de obra, mas tem trabalhadores específicos difíceis de encontrar, quem faz acabamento, por exemplo. Eu não tenho problema com contratação, mas meu cunhado, que é engenheiro, contrata CLT, então ele tem mais dificuldade. Eu contrato para obras pequenas, com MEI, que é mais flexível."

O empreiteiro acredita que no próximo ano o mercado fique melhor por conta que tramitações legais que acontecem na Câmara e Senado e permitem maior aporte de contratações em MEIs. "A perspectiva é que a gente não tenha mais problema com mão de obra. O pedreiro que trabalha por conta e ganha R$ 200 por dia, não vai querer ganhar R$ 1,8 mil por mês trabalhando contratado em obra."

QUALIFICAÇÃO

Professor da Escola Técnica Estadual Vasco Antônio Venchiarutti (Etevav) e coordenador do curso de Edificações do local, Marcus Trippe fala que percebe mais oportunidades de estágios agora, indicativo do mercado. "Há dois anos, vi um movimento grande. É difícil semana que não tenha nenhuma procura e a remuneração do estágio do técnico às vezes é igual à do pessoal que faz estágio em engenharia."

Quanto á procura pelo curso, há diversos públicos, mas, na pandemia, por conta das aulas remotas, não aumentou. "Tem o curso integrado ao Ensino Médio e o Modular, à noite. No modular, tem aluno que está no Ensino Médio, de 17 anos, e aluno que tem 70 anos. É bem bacana." Até as 15h do dia 30/11, a Etevav tem inscrições abertas para ingresso no primeiro semestre de 2022 para o curso de Edificações e outros através do site www.vestibulinhoetec.com.br.

Coordenadora de atividades técnicas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Vânia Caneschi conta que os cursos relacionados à Construção Civil continuaram tendo demanda na pandemia, enquanto outros tiveram baixa. "Sempre temos bastante procura nessa área, de pessoas físicas, que buscam qualificação, e pessoas jurídicas, que querem capacitação para os funcionários. A pessoa vem pensando em fazer uma reforma para si ou em montar um negócio na área. Sempre tivemos procura de quem perde o emprego e vê oportunidade, quem está em uma outra área e quer mudar. Mão de obra para Construção sempre vai estar em alta."

Ela diz que na unidade de Jundiaí do Senai não há cursos no setor da Construção Civil, mas a capacitação pode ser levada a um grupo mediante negociação com a instituição. "O Senai atende no canteiro de obras também. Os nossos profissionais vão até o local para ensinar. A empresa só precisa entrar em contato."


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