Jundiaí

FMJ e o HU terão um centro de pesquisa para avaliar Crianças do Projeto Coorte Zika Jundiaí


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Os residentes aprenderão como trabalhar com diagnóstico preciso
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O Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina de Jundiaí/ Ambulatório de Pesquisa da Coorte Zika Jundiaí e o HU se tornam um mais novo centro colaborador para avaliar as sequelas urológicas relacionadas à síndrome congênita associada ao vírus Zika (SCZ). Entre as sequelas relacionadas a Síndrome Congênita do Vírus Zika (SCVZ) está a bexiga neurogênica (BN), uma alteração grave no funcionamento da bexiga passível de tratamento, que quando é feito precocemente melhora o prognóstico da criança e reduz em até três vezes os riscos urodinâmicos que levam à lesão renal (Costa Monteiro, 2017).

Para o professor titular de Pediatria da FMJ e pesquisador responsável pelo estudo da Coorte Jundiaí do Zika, Saulo Duarte Passos, esta é uma grande conquista. “Este projeto é uma parceria com a FIOCRUZ, que pode ser realizada graças aos resultados de cinco anos de pesquisa sobre o vírus Zika em nossa região. Vamos implantar o ambulatório de distúrbios urinários com estudo da urodinâmica, incialmente para as crianças do Projeto Zika e, no futuro para as demais crianças. Será implantada uma sala de exame no ambulatório de Pediatria, com toda a infraestrutura e equipamentos de ponta”.

A Coorte Jundiaí vai avaliar e ampliar o cuidado com os pacientes que tem sequelas urológicas por conta da Síndrome Congênita do Vírus Zika (SCVZ), propondo melhorias na assistência a estas crianças para mitigar o impacto desta doença.

O projeto/pesquisa inclui a capacitação de profissionais e serviços para este diagnóstico e acompanhamento, incluindo a compra dos equipamentos necessários para a realização da avaliação urodinâmica.

“Além da pesquisa, os residentes da Pediatria e Urologia poderão aprender com esses novos equipamentos e trabalhar com diagnóstico mais preciso, ajudando as crianças do ambulatório. Mais uma grande conquista para a FMJ”, explica Passos.

Atualmente são seis instituições que tem ou estão desenvolvendo centros colaboradores ligados ao projeto, uma delas e FMJ, que funcionarão como centros diagnósticos especializados capacitados para atender as sequelas urológicas, e agora também as intestinais, em 6 estados (MA, PB, PE, RJ, RN e SP). “Esta conquista é resultado de uma visita técnica que nós fizemos em Natal em setembro deste ano”, conclui o pesquisador.

Além disso, profissionais de outras quatro instituições (UFMG, UERJ, H.F. Cardoso Fontes e Hospital de Sorocaba) já participam da Rede Nacional que está sendo desenvolvida para discutir o cuidado com estas crianças, em 3 estados (MG, RJ e SP). A rede é multiprofissional e conta com profissionais da área de enfermagem, fisioterapia e medicina.

Pesquisa com resultados:

Esta sequela foi confirmada através de uma pesquisa pioneira no mundo, realizada em parceria FIOCRUZ/CAPES/CNPq/DECIT (Costa Monteiro, 2018 e 2019). Cerca de 50% dos pacientes tratados já foram reavaliados, e estão respondendo ao tratamento, inclusive com regressão de alterações urológicas avançadas que estavam presentes antes de tratar.

Com estes resultados, duas parcerias foram concretizadas na região nordeste, a mais afetada do país, e permitiram expandir o alcance deste diagnóstico. As investigações realizadas nas coortes de Campina Grande/PB (IPesq) e de Macaíba/RN (ISD) confirmaram a sequela.

O diagnóstico da bexiga neurogênica (BN) é feito pela realização de um exame específico, a avaliação urodinâmica, que é essencial para confirmar se a sequela está presente ou não. No entanto, de acordo com as informações disponíveis, somente 7% do total de crianças com Síndrome Congênita do Vírus Zika (SCVZ) confirmadas no Brasil tiveram seu sistema urinário investigado.

O que está ocorrendo com o sistema urinário dos outros 93% permaneciam uma incógnita, e estes pacientes poderiam estar perdendo a janela de oportunidade de reverter sequelas urológicas e tendo negado o direito eticamente garantido de acesso aos benefícios gerados pelos resultados da pesquisa.

Esta segunda fase da pesquisa visa corrigir esta falha, e fortalecer o cuidado a estes pacientes no SUS.

Resumo:

Título do projeto: Fortalecimento do cuidado às crianças com sequelas urológicas relacionadas à síndrome congênita associada ao vírus Zika (SCZ)

Coordenadora: Lucia Maria Costa Monteiro (IFF/FIOCRUZ)

Financiamento: CNPq e Decit, através da Chamada CNPq/MS-SCTIE-Decit Nº 22/2019 PESQUISAS SOBRE DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS E NEGLIGENCIADAS

Instituições participantes com centros colaboradores:

• Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz, Rio de Janeiro, RJ

• Instituto Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq), Campina Grande, PB

• Instituto Santos Dumont (ISD), Macaíba, RN

• Universidade de Pernambuco, Recife, PE

• Universidade Federal do Maranhão, São Luís, MA

• Faculdade de Medicina de Jundiaí, Ambulatório Zika Hospital Universitário, Jundiaí, SP

 


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