Jundiaí

Mulheres foram as mais afetadas no trabalho

DESIGUALDADE Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a redução da participação feminina na pandemia foi de 46,2% para 39,7%


                       ALEXANDRE MARTINS
A ex-secretária de uma clínica de fisioterapia, Sandra Corassa, foi demitida no começo da pandemia, em abril
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A pandemia afetou negativamente a participação das mulheres no mercado de trabalho. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as mulheres foram as mais afetadas em relação à empregabilidade, com redução de vagas de 46,2% para 39,7%, comparando o segundo trimestre de 2019 com o mesmo período em 2020.

Os indicadores também mostram que as mulheres seguem em desvantagem em relação aos homens, visto que o índice de participação masculina após o começo da pandemia representa 58,1%. Em Jundiaí não é diferente. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o município abriu 971 vagas de emprego com carteira assinada em setembro, destas, 579 vagas foram para mulheres. Em 2020, foram 239 postos de trabalhos para mulheres, contra 700 para homens no mesmo mês.

No acumulado do ano de 2021, foi registrado saldo de 9.608 empregos, sendo 4.820 postos abertos para as mulheres e 4.788 para homens. No mesmo período do ano passado (janeiro a setembro), o saldo era negativo de 4.294 empregos, sendo o saldo negativo de 2.383 postos de trabalho direcionados às mulheres e 1.911 para homens.

Para o gestor de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Cristiano Lopes, a Prefeitura de Jundiaí tem trabalhado visando capacitar e ampliar a participação das mulheres no mercado de trabalho e no empreendedorismo. "No primeiro semestre, foi feita uma capacitação com mais de 400 mulheres em parceria com o Sebrae, por exemplo. Essas ações tendem a ser mais recorrentes daqui para frente. O portal Jundiaí Empreendedora também tem se mostrado uma ferramenta importante para a mulher que busca uma colocação no mercado de trabalho", afirma Lopes.

DEMISSÕES

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, 8,5 milhões de mulheres deixaram a força de trabalho no terceiro trimestre de 2020 (último dado disponível). Esse movimento rumo à inatividade fez com que mais da metade da população feminina com 14 anos ou mais ficasse de fora do mercado de trabalho. A taxa de participação na força de trabalho ficou em 45,8%, uma queda de 14% em relação a 2019.

Um desses casos aconteceu com a ex-secretária de uma clínica de fisioterapia, Sandra Corassa, de 66 anos. Ela foi demitida logo no começo da pandemia. "Em abril, quando a pandemia estava no auge, fiquei um tempo trabalhando em home office e, quando a clínica avisou que voltaria ao presencial, decidiram me dispensar", explica Sandra.

A ex-funcionária trabalhou na clínica entre 2014 e 2020, e para retomar a vida profissional, ela ainda anseia por novas oportunidades de emprego, mas desde que foi demitida não conseguiu voltar a trabalhar, por isso decidiu se reinventar em outro setor para trabalhar de forma autônoma. "Comecei a investir no setor têxtil para voltar a trabalhar. Mesmo já sendo aposentada em outra empresa, preciso ocupar meu tempo e gerar uma renda extra para ajudar minha família", afirma Sandra.

OPORTUNIDADES

De acordo com a supervisora de RH de uma agência de empregos de Jundiaí, Carla de Moraes, a empregabilidade de mulheres já voltou a crescer neste ano. "Observamos um aumento significativo, hoje a maioria das empresas possui 70% de mulheres no seu quadro de funcionários. Os setores que mais se destacam são de produção, logística e cargos administrativos", afirma.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Governo de São Paulo oferece o programa 'Empreenda Mulher', com o objetivo de incentivar a autonomia das mulheres, possibilitando acesso a crédito e oferta de cursos de qualificação.

Desde o lançamento do programa, em 2019, mais de 32 mil mulheres já se inscreveram. Para mais informações, basta acessar o link: https://www.desenvolvimentoeconomico.sp.gov.br/programas/empreendamulher/.

Além disso, a pasta também oferece o 'SP TECH Mulher', programa que oferta cursos em tecnologia somente para mulheres. São cursos profissionalizantes nas modalidades presencial, remota ou virtual, com duração de 60 a 240 horas, desenvolvidos em parceria com o Centro Paula Souza, o Senac e a Univesp, para capacitar e inserir no mercado de trabalho as alunas que realizam os cursos nas áreas da tecnologia da informação, incluindo Banco de dados, Desenvolvimento Web, Desenvolvimento Mobile e Programação.

No momento, 6.200 mulheres participam da iniciativa. O programa também está com 20 mil vagas abertas. As inscrições podem ser feitas no site www.cursosviarapida.sp.gov.br, na página "trilhas do SPTECH".


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