Jundiaí

Procura por eventos culturais aumentou com a vacinação


      ALEXANDRE MARTINS
Ambrósia Dualc retornou às aulas e ao palco com casa cheia no Polytheama
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com quase 71% da população jundiaiense vacinada, os espaços culturais da cidade voltaram a abrir as portas. No entanto, a economia cultural ainda está abalada, demandando investimentos do poder público para estabilizar o prejuízo sentido pelos profissionais que trabalham com arte durante a pandemia. Por outro lado, a procura por essas atividades tem surpreendido tanto a Unidade de Gestão de Cultura quanto os artistas.

De acordo com o gestor de Cultura de Jundiaí, Marcelo Peroni, que também é artista, todos os espaços culturais, com exceção do museu da ferrovia, voltaram a funcionar. "É claro que ainda estamos em um período de pandemia, com uma retomada gradual e que demanda cuidados. Não podemos lotar os espaços sem critério, mas já estamos operando", explica.

O que o surpreendeu foi a grande demanda por ingressos. "As ações que estamos oferecendo gratuitamente, com recursos da Cultura, estão esgotando e mesmo os espetáculos pagos também têm tido uma procura elevada."

Foi o que aconteceu com o show Black Soul, apresentado no Teatro Polytheama, na última quinta-feira (28). Um dia antes da apresentação, que entrou no pacote de espetáculos financiados pela prefeitura, já não havia mais ingressos disponíveis.

Isso surpreendeu a bailarina Ambrósia Dualc, 49 anos, que dançou para o público na ocasião. "Eu cheguei em casa e meu filho de 21 anos veio me falar que tinha visto em todos os lugares o meu nome por causa da apresentação. Foi surpreendente a procura altíssima que tivemos."

Para ela, foi uma emoção retornar ao palco, especialmente em um momento tão delicado. "Viver tudo isso de novo é especial."

Tanto para ela quanto para Peroni, isso é um reflexo do isolamento social. "Não é algo comprovado ou mesmo estudado até agora, mas é nossa percepção. Durante o isolamento social mais rígido a arte foi uma das válvulas de escape das pessoas. Literatura, as apresentações virtuais, tudo isso mostrou o quanto é importante valorizar a cultura e o quanto ela faz diferença no nosso cotidiano e bem-estar", ressalta o gestor.

Dualc quer acreditar que essa mudança de pensamento realmente se propague e multiplique. "Somos uma país que valoriza muito o esporte, e com razão, mas que não dá o mesmo valor à arte. O artista ele precisa ser tratado como um atleta. Posso falar da experiência de bailarina, que exige muito de todos nós. São seis horas ou mais de preparação física e treino técnico por dia para conseguir alcançar seus objetivos profissionais e muito poucas pessoas enxergam e valorizam esse esforço."

Ainda assim, ela tem esperança de que o isolamento social e a proibição de desfrutar esses prazeres tenha mostrado a diferença que a cultura faz no dia a dia das pessoas.

DESAFIOS

A expectativa é que a procura continue intensa, mas todos estão cientes dos desafios que encontrarão. "A pandemia acabou deixando muitas famílias economicamente vulneráveis, então até que ponto poderão investir em arte, tanto ao pagar para assistir a um espetáculo, quanto ao optar ou não por manter o filho em um curso extracurricular, é algo que ainda estamos descobrindo", Peroni relata.

Em seu estúdio de dança, Dualc percebeu um outro desafio: A mudança dos hábitos. "Os alunos passaram a aprender pela observação, não mais pelo fazer. Eu demonstro um movimento e eles ficam olhando ao invés de tentar imitar. Isso é algo que ainda vamos descobrir até que ponto afetará nossa vida de artistas."

ECONOMIA ABALADA

Além das ações culturais gratuitas, outro meio de incentivo que vem sendo usado é a abertura de editais. Atualmente há mais de R$ 1 milhão em verbas a serem distribuídas para mais de 300 projetos, que devem beneficiar no mínimo 500 artistas locais.

"Essa é a forma que temos de injetar dinheiro no setor e conseguir apoiar essa retomada. Geralmente ao pensar em cultura, as pessoas se lembram dos artistas, do palhaço, do diretor, do ator, do músico, mas a indústria da cultura demanda sonoplastia, iluminação e mais uma série de trabalhos de apoio para que uma atividade cultural aconteça. E esse grupo de técnicos e trabalhadores que não estão na linha de frente é o mais afetado."

ABERTURA

Além do Teatro Polytheama, Complexo Fepasa, Museu Solar do Barão e Pinacoteca, o Céu das Artes também já voltou às atividades, inclusive com o projeto de dança para a comunidade que conta com Ambrósia Dualc lecionando.

Os estúdios particulares também já voltaram a atividade e já reservaram diversas datas para espetáculos no Teatro Polytheama. "A diferença é que muitos optaram por espetáculos mais baratos, com menos cenografia nesse recomeço", alerta Peroni.


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