Jundiaí

Efluentes do Rio Jundiaí ainda não são 100% tratados

MEIO AMBIENTE A água tem consumo humano permitido desde 2014, mas a bacia ainda recebe despejo de esgoto não tratado em seu percurso


COLABORAÇÃO /Artur Henrique Imagens
O Rio Jundiaí corta quatro municípios da Região, Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Jundiaí e Itupeva
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Na Região, o Rio Jundiaí corta os municípios de Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Jundiaí e Itupeva. Segundo a DAE e a Sabesp, empresas que captam e tratam os esgotos dessas cidades, os efluentes captados e que têm o rio como destino são 100% tratados. No entanto, além de efluentes não captados, existem sim efluentes que não são tratados.

Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Campo Limpo Paulista trata 95% do esgoto coletado, Várzea Paulista, Jundiaí e Itupeva tratam 100%. Porém, segundo o relatório Qualidade das Águas Interiores no Estado de São Paulo, de 2020, da Cetesb, Campo Limpo Paulista e Itupeva têm percentual de tratamento de esgoto doméstico abaixo de 75%. Jundiaí e Várzea Paulista têm mais de 75%.

Atualmente, os municípios de Campo Limpo Paulista e Várzea Paulista, ambos no trecho do rio enquadrado na classe dois, captam água do Rio Jundiaí para abastecimento público. Em uma classificação que vai de um a quatro, a qualidade de água na classe dois permite a captação para consumo humano, o uso recreativo e a criação de peixes.

O Rio Jundiaí tem percursos nas classes dois e três. O Cetesb diz ainda que a qualidade das águas do rio Jundiaí apresenta alguns indicadores em desacordo com os limites estabelecidos para corpos de água enquadrados na classe três, no entanto, não impedem o seu uso para abastecimento público, muito embora provoque um aumento do custo de seu tratamento para essa finalidade.

Pós-graduado em Conformidade ambiental com requisitos técnicos legais, Ivo Freitas de Oliveira fez um trabalho acadêmico voltado à evolução da despoluição do Rio Jundiaí em 2018. Ele diz que, segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), um rio de classe três deve ter 4mg de oxigênio por litro. Atualmente, o rio Jundiaí tem mais de 4mg por litro em todos os pontos.

"A classificação do Rio Jundiaí como classe três foi uma decisão importante porque os critérios para o lançamento de efluentes são mais restritos e ajudam a proteger o rio. Os resultados de DBO e OD mostram isso", diz ele sobre o oxigênio dissolvido (OD) e a demanda bioquímica do oxigênio (DBO).

Ivo afirma que "não há níveis de poluição perigosos dos poluentes monitorados para o consumo residencial de água, mesmo porque há o processo de tratamento." Segundo Oliveira, de modo geral, em toda a bacia do rio, "94% do esgoto é coletado e 80% tratado."

ADEQUAÇÕES

A Cetesb informa que os despejos de esgoto ocorreram principalmente devido a problemas de extravasamentos nas redes coletoras. As estações de tratamento também podem apresentar queda de eficiência, que, quando constatadas em monitoramento executado pela Cetesb, são motivo de aplicação de sanções de acordo com a legislação vigente.

As infrações ambientais, independentes de sua origem ou causador, são punidas de acordo com a legislação vigente, conforme os artigos 76 a 91 do Regulamento da Lei Estadual 997/76, aprovado pelo Decreto 8.468/76 e suas alterações; além de outros dispositivos legais, como informa a Companhia.

Segundo a DAE, que atende Jundiaí, 98,23% da cidade é atendida com rede de esgoto. 100% deste esgoto recolhido é tratado. Além disso, a cidade também trata os resíduos de fossas sépticas (que coletamos com caminhão limpa fossa). Já a Sabesp, que atende Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista e Itupeva, informa que toda a área urbana dos municípios é coberta por rede de coleta e afastamento de esgotos e todo o esgoto coletado é tratado.

COMITÊ

Desde a década de 1980, o Comitê de Estudos e Recuperação do rio Jundiaí (Cerju) existe para que as águas da bacia fossem despoluídas e voltassem a ser potáveis, inclusive captadas para consumo dos municípios do curso. O comitê é uma parceria entre o Governo do Estado (representado pela Cetesb), a Prefeitura de Jundiaí (representada pela DAE) e as indústrias (representadas pelo Ciesp). Através deste trabalho, o Rio Jundiaí passou da classe quatro para a classe três em 2014.

A Sabesp informa que tem estações de tratamento ao longo do rio. Em Itupeva mesmo, são três, Rio das Pedras, Aparecidinha e Nica Preta. Há ainda um novo coletor de esgotos com previsão de inauguração em 2022, na região do bairro Caxambu, que permitirá que a Sabesp desative três estações elevatórias, reduzindo o consumo de energia elétrica e despesas com manutenção.

 


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