Jundiaí

Patrimônio histórico jundiaiense é alvo de processos de tombamento


ARQUIVO PESSOAL
Elizeu Marcos Franco diz que o processo foi iniciado em julho deste ano
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Localizado na rua do Rosário, 235 e 243, no Centro, o imóvel que representava o antigo edifício dos Correios na década de 50 e é patrimônio histórico de Jundiaí, vem sendo alvo de processos de tombamento desde 2016, pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac) e pelos munícipes que prezam pela preservação do antigo imóvel.

O tombamento é a primeira ação a ser tomada para a preservação dos bens culturais na medida que impede legalmente a sua destruição, por meio da aplicação de legislação específica. O intuito é conservar e proteger bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados. O processo pode ser aplicado a bens móveis e imóveis de interesse cultural ou ambiental.

De acordo com o diretor do Departamento de Patrimônio Histórico da Unidade de Gestão de Cultura (UGC), Elizeu Marcos Franco, a edificação em questão é protegida por estar incluída no Inventário de Proteção do Patrimônio Artístico e Cultural (IPPAC) de Jundiaí. "A posição da Prefeitura é a de proteger os imóveis que tenham relevância cultural para o município. No entanto, vale ressaltar que é o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac) que delibera pelo tombamento de imóveis no nível municipal", afirma Franco.

O processo de tombamento atualmente em instrução foi iniciado no dia 20 de julho deste ano, por iniciativa do Departamento de Patrimônio Histórico da Unidade de Gestão de Cultura (UGC) e ainda não há data marcada para audiência pública. "Há processos que tratavam de seu tombamento desde 2016, mas foram arquivados devido ao término de sua validade", explica o diretor.

PRESERVAÇÃO

O arquiteto Eduardo Carlos Pereira é um dos munícipes empenhados em proteger o patrimônio histórico, ambiental e afetivo da cidade. Segundo ele, a arquitetura do imóvel vem sendo descaracterizada diariamente pelo descaso com o prédio. "É um patrimônio do município que deveria ficar para as próximas gerações, está no Centro histórico que se conservou até hoje e precisa ser recuperado e apreciado para a revalorização da cidade", afirma Pereira.

O arquiteto luta por anos pelo tombamento do edifício. Para ele, o maior impacto é o descaso com a imagem da cidade. "Um Centro de imóveis particulares deteriorado pelo comércio e pelos proprietários resulta na destruição da imagem da nossa cidade", diz.

Em 2017, Pereira já alertava sobre o descaso com o imóvel e solicitava a entrada no processo de tombamento do mesmo para os órgãos da Prefeitura. Em uma coluna escrita para o JJ naquele ano, o arquiteto já afirmava que o assunto deveria ser tratado com urgência. "O antigo edifício dos Correios ocupa lugar proeminente no largo da Matriz. Se destacou por anos como lugar público de acesso livre, e sua arquitetura marcante roubou a atenção dos edifícios vizinhos. Mesmo com seu estado ruim de conservação, esse destaque permanece ainda hoje e seria louvável que melhore. Verificando o estado de abandono, certamente para justificar uma demolição parcial, entendo que por essa razão o assunto precisa ser tratado com urgência, elementos da arquitetura precisam ser identificados e o interior precisa ser mais estudado".

Apesar de manter as influências neoclássicas da arquitetura original, o edifício já apresentou algumas mudanças em relação à época. "Hoje não temos os desenhos originais de seu interior. Se a construção for estudada e prospectada cientificamente, provavelmente revelará importantes aspectos da construção, dos materiais, das técnicas dos autores e da vida social. Elementos novos para compreendermos a história de Jundiaí e as razões para conservarmos esse edifício importante para o município", afirma Pereira.

ANDAMENTO DO PROCESSO

Em relação ao processo de tombamento deliberado pelo Compac, Pereira ainda aguarda a posição do conselho. "Há tempos esse processo vem sendo discutido entre o conselho e os moradores, mas até o momento não identifiquei nenhum andamento desta ação. Fico no aguardo por um retorno do Compac, pois até o momento não obtive respostas concretas", afirma.

(Luana Nascimbene)


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