Jundiaí

Inflação dos alimentos chega a 43,4% neste ano

COMPRA O salário mínimo deve ser reajustado em R$ 100 em 2022, mas não suprirá a alta dos preços


                                     ALEXANDRE MARTINS
Neide Souza Santos diz que reduziu consumo de alimentos como tomate
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com os preços de alimentos elevados, resultado da inflação de 43,39% na categoria em São Paulo, segundo o Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC), o consumo de alguns produtos da cesta básica foi impactado. Itens como arroz, óleo e carne sofreram reajustes que chegam a 171,26%.

O auxiliar de extrusora Josinei da Silva Andrade já sentiu a diferença no bolso e no carrinho de compras. Ele acaba gastando mais com as compras do mercado. "Continuo comprando as mesmas coisas, mas gastando mais porque tudo aumentou, principalmente a carne. Tem que escolher o que é mais barato. Quando dá, a gente compra, quando não dá, substitui."

A catadora de reciclagem Simone Mariana Franco sentiu diferença no arroz e feijão. "Precisamos trocar carne, agora é mais ovo e frango. Diminuiu legume e fruta agora, mas a gente sai procurando promoção, pesquisa para comprar", explica, falando ainda que, ainda que o salário mínimo seja reajustado em 2022, "não vai dar para nada".

A cuidadora de idosos Neide Souza Santos sente mais dificuldade para fazer as compras. "Alimentos subiram bastante, café, óleo, feijão e principalmente a carne. Agora consumo mais frango, ovo, mas até o ovo está caro, eu comprava de bandeja grande e agora compro só de dúzia. O leite também, já não dá para comprar uma caixa toda. Tomate e batata-doce eu deixei de consumir. Percebo aumento de toda a cesta básica. Acho que se deixasse o salário do jeito que está e abaixasse o preço das coisas, seria melhor."

Segundo o SNIPC, em São Paulo, os meses deste ano com maiores reajustes nos alimentos foram janeiro, fevereiro e agosto. Já os alimentos com maiores altas nos preços no período são os essenciais. Óleos e gorduras acumulam aumento de 171,26%; cereais, leguminosas e oleaginosas de 141,32%; carnes de 92,1%; tubérculos, raízes e legumes de 73,65%; e aves e ovos de 57,53%.

IMPACTO

A educadora financeira Cintia Senna diz que a inflação afeta mais quem tem menor poder de compra. "A gente passa por um movimento bem forte da inflação que tem afetado principalmente quem tem poder de compra menor. O salário não acompanha nem o aumento nem a velocidade deste aumento. E se olhar melhor, este aumento é ainda maior que o apontado pelos indicadores, porque impacta cada realidade distinta de cada família."

Para 2022, o reajuste do salário mínimo, que leva em conta o Índice Nacional de Preços no Consumidor (INPC), deve ser de R$ 100, passando de R$ 1,1 mil para R$ 1,2 mil. Este valor já foi recalculado recentemente, quando o aumento do INPC passou de 8,4% para 9,1% em 2021.

Ela diz que a inflação dos alimentos é um conjunto de fatores. "Parte dos alimentos é importada e o dólar alto traz esse impacto no preços. A questão dos combustíveis também, porque, para que o alimento chegue, o transporte está mais caro. E tem também a política econômica atual. A dívida pública está elevada e há a tentativa de diminuir os efeitos da pandemia, mas disponibilizar mais moeda impacta a inflação."

Cintia diz, porém, que há alternativas para tentar minimizar estes aumentos. "Mesmo com o aumento geral, há diferenças no preços de um lugar para outro, em mercados e até em feiras. É importante também não comprar estoque de alimentos, mas ver os itens que estão em promoção em determinado local a cada semana, e aí aproveitar para comprar. É bom perceber também se há perdas, se os alimentos vencem ou estragam."

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no mês de outubro, a cesta básica da capital paulista custou R$ 693,79. Com este valor, o Dieese estima que o salário mínimo deveria ser mais de cinco vezes o atual, ou seja, mais de R$ 5,5 mil.


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