Jundiaí

População com menor poder aquisitivo sofre mais com inflação


                          ALEXANDRE MARTINS
Vanildo Dutra diz que o reajuste dos produtos básicos é o maior vilão
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Que os produtos estão mais caros todo mundo sabe, mas o aumento constante no custo de produtos básicos, como energia elétrica e gás de cozinha, sem contar os alimentos, ultrapassa, e muito, o reajuste do salário mínimo. Com isso, famílias com menor poder aquisito sofrem mais.

Para o ano que vem está previsto um salário mínimo de R$ 1.192,40, que acompanha a inflação do país, avaliada em 8,4% segundo previsão do Ministério da Economia com base no cálculo do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Desde o início do ano, o preço médio do botijão de gás aos consumidores subiu quase 30%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), passando de R$ 75,29 no final de 2020 a R$ 96,89 em setembro e sendo reajustado novamente em outubro, quando passou dos três dígitos, em média R$ 100,95.

No caso da energia elétrica, houve uma sequência de reajustes. Em julho houve o reajuste de 52% aplicado em julho sobre a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos. Depois, em agosto, houve 5% de reajuste. E em outubro a diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o aumento da conta de luz em até 16% para quase 8 milhões de consumidores do Distrito Federal, Goiás e São Paulo.

De modo geral isso significa que, enquanto o gás de cozinha subiu mais de 30%, o salário mínimo terá um reajuste de R$ 92,40, apenas 8,4%.

NA MESA DE CASA

Um dos maiores vilões do bolso do consumidor é o reajuste dos preços dos alimentos. Ao comparar outubro de 2020 e outubro de 2021, o preço do conjunto de alimentos básicos subiu em todas as 16 capitais que fazem parte do levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Os maiores percentuais foram observados em Brasília (31,65%), Campo Grande (25,62%), Curitiba (22,79%) e Vitória (21,37%). Em São Paulo, o reajuste anual foi de 9,87%, o que também já é mais do que a inflação e consequente reajuste do salário mínimo.

Vanildo Dutra, 60 anos, não tem registro profissional atualmente e ainda não é aposentado. Ele faz bicos e paga a previdência até aposentar. "Com certeza é difícil consumir, mesmo com aumento do salário. A inflação do jeito que está, R$ 1,1 mil de salário mínimo é sacanagem. Tem que fazer mágica", disse.

Segundo o morador, o segredo para conseguir fazer as compras do mês é pesquisar. "Está difícil, tem que procurar preço mais acessível para manter o consumo. Eu gosto de fazer pesquisa de preço para saber se acho mais em conta. O alho mesmo, procurei antes de comprar."

Em sua opinião, o mais grave é que os produtos mais básicos são os que mais sofreram reajustes. "O básico está caro, óleo, feijão, carne vermelha, peixe, tudo caro. O ovo está R$ 10,90 a dúzia, não é barato. O frango está mais razoável agora. A gente consome mais carne de ave e suína do que bovina. Pelo preço que está, a gente vai controlando. Mas não tem como não fazer pesquisa."


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