Jundiaí

HSV vai normalizar cirurgias em cinco meses

PÓS-COVID Priorizando oncologia, neurologia e cardiologia, o hospital vem retomando procedimentos


                 ALEXANDRE MARTINS
Matheus Gomes destaca o investimento em tecnologia no hospital
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com a redução da ocupação do Hospital São Vicente de Paulo (HSV) por pacientes infectados pelo coronavírus, a fila de cirurgias deve ser zerada em até cinco meses, voltando a realizar 600 cirurgias por mês. A meta é alcançar o prazo de até 30 dias para cirurgias oncológicas e até 90 dias para cirurgias eletivas. Os recursos financeiros estão disponíveis no orçamento da instituição.

"Já fizemos um plano de retomada, reunimos a diretoria e o corpo clínico. Os pacientes oncológicos, cardiológicos e neurológicos estão tendo prioridade. Em mais quatro ou cinco meses, as cirurgias já devem estar no tempo adequado e poderemos voltar ao volume e tempo de espera pré-pandemia", explica o superintendente da instituição, Matheus Gomes.

Ele explica que as cirurgias oncológicas não pararam durante a pandemia, mas terão prazo menor com esta retomada. "Antes, as cirurgias oncológicas eram feitas em 20 dias, 30 dias no máximo, que é a meta. As outras cirurgias devem ser feitas em até 90 dias, sem considerar cirurgias que envolvem próteses, que têm uma liberação mais demorada. Hoje, há pacientes fora da meta", explica.

READEQUAÇÕES

Segundo Gomes, com a demanda da covid em queda, o hospital mantém apenas uma ala para estes pacientes. "A gente tem estrutura de 21 leitos para covid, 11 de UTI e 10 de enfermaria, que também podem atender UTI, se necessário. Nesse um ano e meio, ganhamos esse know-how dos leitos híbridos. Chegamos a ter 258 leitos covid, boa parte do hospital", diz ele sobre o período em que a ocupação de covid no HSV foi de 90%.

No entanto, a covid não tem ainda indícios de desaparecimento e vai requerer atendimento. "Temos uma contingência estratégica e entendemos que o atendimento covid vai ficar. Os estudos mostram que a vacina tem dois objetivos principais, o primeiro é bloquear a contaminação, ainda não alcançado e o segundo é não deixar a doença evoluir para um quadro grave, então o paciente eventualmente ainda vai vir", explica.

Devido ao movimento de transferências não covid a outros equipamentos, o HSV não interrompeu totalmente as cirurgias, operando prioridades. Por isso o diretor acredita que a demanda atual poderia ser até maior.

"Nenhum paciente com covid precisou sair de Jundiaí para ter atendimento. O Regional foi importante para não faltar atendimento não covid, o HU também recebeu algumas transferências nossas. Na primeira onda, tivemos o Hospital de Campanha. Na segunda, compramos leitos no Santa Elisa. Usamos 33 leitos de enfermaria, UTI e duas salas de cirurgia do Santa Elisa, com mão de obra do São Vicente. Foram mais de duas mil internações nesse período. A gente não parou cirurgia, continuou fazendo. Tem a cirurgia que não é eletiva e nem de urgência, chamamos de eletiva com prioridade, e também não deixamos de atender esse paciente", afirma ele.

DEMANDAS

O superintendente do hospital diz que o tratamento oncológico no HSV já era referência e continuará sendo. "O hospital fazia 29 cirurgias oncológicas no pré-pandemia, chegou a fazer mais de 40. A quimioterapia e radioterapia não pararam e aumentaram. Em 2016, eram tratados em média por mês 360 pacientes oncológicos. Neste ano, a média é de 600 pacientes por mês."

Gomes também relata o investimento em tecnologia e gestão há alguns anos, para que os números do hospital melhorassem, e que viabilizaram ao HSV o aporte de tratamento da pandemia. "Temos o projeto do hospital digital, com zero papel. Vai ter tudo à beira leito, dentro do sistema com inteligência artificial. Essa mudança deve ser concluída em 12 meses. Investimos em tecnologia, gestão e melhorou indicadores, como o giro de leito. Antes era de 6,3 dias, conseguimos chegar a 4,9. Não é alta precoce, é o paciente certo, no lugar certo, com recurso adequado. A gente cria 50 leitos com essa diminuição de permanência. A taxa de infecção no hospital caiu, a mortalidade que era de 12% foi para 7%, sem considerar a covid. A mortalidade em até 24h de entrada no hospital não é considerada nessa taxa, mas conseguimos diminui-la, de 47 por mês para 7, desde quando assumimos a gestão."

 


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