Jundiaí

A pressão social para seguir um padrão de beleza e a gordofobia afetam os jovens


                 ALEXANDRE MARTINS
Julia Rodrigues vivenciou situações hostis durante seu ensino médio
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Jovens se sentem influenciados e sofrem para se desvincular da pressão social dos padrões de beleza impostos pela sociedade. Esse conjunto de normas estéticas que ditam como deve ou não deve ser a aparência e o corpo das pessoas é fortemente disseminado em propagandas e principalmente nas redes sociais.

Os padrões mudaram ao longo da história, e as redes sociais auxiliaram na globalização dessa ideia, que bombardeia os usuários até mesmo de maneira indireta. Mesmo com debates entorno do assunto, a busca pelo corpo magro e o cabelo liso ainda é recorrente.

Segundo a psicóloga Camila Tomaz Cardoso, de 27 anos, a pressão para seguir um padrão de beleza afeta muito a saúde mental não só dos jovens como de toda a sociedade. "Recebo em meu consultório pacientes com essa queixa de não aceitar o próprio corpo, gerando uma comparação com um outro corpo que viu na internet. Algumas pessoas chegam a cogitar passar por uma cirurgia estética ou até mesmo se ver no espelho de forma distorcida devido a busca por essa beleza idealizada", explica.

A estudante Julia Rodrigues, de 20 anos, conta que a influência pelos padrões estéticos acontece todos os dias e é algo inconsciente, que leva o indivíduo a se sujeitar a situações que não são saudáveis apenas para concluir o objetivo de se adequar. "Quando eu era mais nova comecei a transição capilar pois achava o custo de alisar o cabelo com química muito alto. Porém, não aceitei meus cachos logo de cara, eu continuei alisando meu cabelo com escova e chapinha até mesmo em dias de calor intenso, que eu chegava a passar mal", relata.

Aconteceram também situações que afetaram a estudante de maneira negativa em relação ao seu corpo, principalmente durante a escola. Ela conta que, quando se está fora de um padrão, a pressão se torna também social. "Eu desenvolvi tireoidite de Hashimoto, e ela faz com que a tireoide tenha um déficit de produção de hormônio, então o metabolismo não funciona direito. Enquanto meu metabolismo estava desregulado, eu tive compulsão alimentar e engordei muito. As pessoas começaram a notar de um jeito pejorativo com piadas, mesmo eu ainda estando dentro do padrão", explica.

Apenas por ter um corpo considerado fora do padrão, Julia conta que até mesmo amigos próximos faziam comentários hostis sobre sua aparência e seu peso. "Eu virei a 'Julia fominha', a 'Julia que comia toda hora', as pessoas da escola criaram essa imagem sobre mim já que eu estudava em período integral. Isso foi muito difícil, principalmente pelos comentários sobre meu corpo originarem de pessoas próximas", completa.

GORDOFOBIA

Apesar de o enfoque da abordagem sobre padrões estéticos serem sempre para as mulheres, os homens também sofrem com esse estigma social para obter um corpo magro.

O cozinheiro Pedro Gebert, de 20 anos, conta que o corpo gordo sempre é relacionado às doenças, e já sofreu gordofobia até mesmo de uma profissional da saúde. "Uma vez frequentei uma nutricionista com a intenção de ter auxílio na minha dieta vegetariana, e ela tentou de todas as formas me passar uma dieta para emagrecer, sendo que não era meu objetivo. Eu levei exames que comprovassem que não tinha necessidade pois estou saudável, e ainda assim, ela insistiu", relata.

REDES SOCIAIS

Gebert conta que filtra suas redes sociais para se desvincular de conteúdos que reforçam o padrão. "Acredito ser possível utilizar as redes sociais de maneira consciente. Eu procuro acompanhar pessoas que não ajudem a espalhar a ideia do corpo perfeito", explica.

Julia também relata que consegue fazer o uso consciente das redes. "As redes são uma fonte de pressão social, e a pressão estética é muito forte. Por este motivo, sigo pessoas que tem o corpo e um estilo de vida parecido com o meu, para que as comparações não aconteçam", relata.

Para se desvincular desses ideais e sofrer menos com a pressão para seguir um padrão, a psicóloga recomenda a terapia. "Na terapia trabalhamos a aceitação, a insegurança, a autocobrança e o amor-próprio. Nas sessões, conseguimos desconstruir essa imagem distorcida da própria aparência para que o paciente possa se olhar no espelho sem sentir a necessidade de se adequar a algo, pois ele é suficiente", explica.

(Caroline Adrielli)


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