Jundiaí

Abertura de MEIs cresce 59% em Jundiaí durante a pandemia

EMPRESAS Há diversos motivos para o empreendedorismo neste período, mas o principal é a necessidade de quem perdeu emprego e precisa trabalhar


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A abertura de MEIs indica otimismo para empreender, mas também é indicativo de necessidade
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No período de 20 de março de 2018 a 13 de outubro de 2019, foram abertas 3.496 novas Microempresas Individuais em Jundiaí. Considerando o período de 20 de março de 2020 a 13 de outubro de 2021, foram 5.567 novas aberturas de MEIs. O aumento foi de 59%, segundo a Unidade de Gestão de Governo e Finanças (UGGF), da Prefeitura de Jundiaí, e segue a tendência de alta na abertura de empresas no município. As principais atividades dos novos negócios são digitação, promoção de vendas e transporte municipal de cargas.

Ainda segundo a UGGF, sem considerar MEIs, Jundiaí teve 37% mais aberturas de empresas, saindo de cerca de 3,1 mil entre 20 de março 2018 e 13 de outubro de 2019, para mais de 4,9 mil de 20 de março de 2020 a 13 de outubro de 2021, período da pandemia.

NEGÓCIOS

Segundo o gerente regional do Sebrae Jundiaí, Marcelo Paranzini, pode haver diversos motivos para o empreendedorismo mais acentuado, como a regularização de um negócio que já existia ou a terceirização de um serviço que já era prestado a um empregador, mas a principal causa foi a necessidade.

"A situação que vem sendo mais frequente é o empreendedorismo por necessidade. Em Jundiaí foram abertas mais vagas que as fechadas, mas há pessoas que perderam o emprego e acabam não conseguindo voltar ao mercado de trabalho ou não conseguem a vaga que desejavam, então abrem um negócio para garantir o sustento próprio e da família", explica ele.

Uma das pessoas que empreendeu por precisão foi Aparecido de Jesus Dino, o comandante Dino, que era piloto em Jundiaí, mas em agosto do ano passado começou a vender espetinhos e marmitex. "A aviação, assim como outros setores, ficou fraca na pandemia então tive redução salarial e tive que parar. Meu patrão até já colocou o avião à venda. Comecei a vender marmitex e espetinho em agosto."

Atualmente Dino permanece apenas com as marmitex, mas pretende voltar a vender os espetinhos e ainda não sabe se voltará a pilotar. "No ano passado, mais gente procurava os espetinhos e tinha o delivery, então bombou, de segunda a segunda tinha gente comprando. Mas o espetinho foi ficando para trás, porque é mais um item de luxo agora, a carne boa está cara. Já a marmitex é mais essencial, a pessoa não deixa de comer, então está crescendo dia após dia."

SUPORTE

Sobre a geração de vagas formais citada por Marcelo, entre março de 2020 e setembro deste ano, Jundiaí teve, entre demissões e admissões, saldo positivo de 8,4 mil vagas de emprego formal, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Marcelo explica que essa geração de empregos formais acaba desencadeando também a abertura de novos MEIs, já que significa que novas empresas estão chegando a Jundiaí e demandando serviços que podem ser prestados por terceiros. "Jundiaí atrai empresas e acaba gerando oportunidades também para pequenos negócios em uma cadeia. Então, a gestão e a atratividade geram oportunidades para outras empresas nessa cadeia. E os empreendedores que já estavam na cidade acabam vendo o momento para se formalizar e gerar resultados positivos, explorar a oportunidade que o mercado proporciona."

Mesmo com a economia incerta, as pessoas que abrem um negócio ou investem na prestação de um serviço podem crescer, mas é necessário planejamento. "Quem empreende por necessidade, muitas vezes, não tem orientação prévia neste sentido e acaba tendo um resultado aquém do esperado. É importante estruturar o negócio e fazer o trabalho de trazer ao presente as variáveis futuras para explorar melhor o mercado, mas é preciso se planejar para isso. Mesmo tendo recursos, se o empreendedor não estruturar o negócio, pode perder dinheiro e não ter longevidade", diz ele lembrando que o Sebrae dá este suporte de forma gratuita.

Dados deste mês mostram que há 33.541 MEIs ativos em Jundiaí, o que representa 10% das 335.232 pessoas que trabalham em regime CLT no município, de acordo com o Caged.

TENDÊNCIA

Não foi só Jundiaí que registrou alta na abertura de empresas. Todo o estado de São Paulo segue esta tendência. A Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) aponta que o estado alcançou a marca de 236.008 novos empreendimentos até o mês de outubro. Este número é o maior da série histórica, realizada desde 1998.

Comparado a todo ano de 2019, período até então com maior número de abertura de empresas registradas nos últimos 23 anos, 2021 apresenta uma alta de aproximadamente 5,08%. Na Capital o número deste ano também foi o maior da série histórica. Foram 99.143 novas constituições.


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