Jundiaí

"Não existe 007, detetive tem sobrenome e CNPJ"


                            ALEXANDRE MARTINS
Milton Silveira é detetive particular há 33 anos e atua não só em Jundiaí como em todo o Brasil e outros países
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Detetive particular é profissão regulamentada por lei, no Brasil, desde 2017. Ainda assim, as pessoas confundem com aquele estereótipo de detetive de filmes, como o famoso Sherlock Holmes, do escritor britânico Sir Arthur Conan Doyle.

Em Jundiaí, não só temos um vasto mercado de detetives particular facilmente localizados em qualquer ferramenta de busca on-line, como um mercado pujante tanto nas investigações de infidelidade e problemas conjugais, os mais comuns e que representam a maior fatia do mercado, como a investigação empresarial, em crescimento no polo logístico.

A investigação particular desperta a curiosidade da população e já ganhou destaque em inúmeros livros, filmes e séries. Sherlock Holmes, por exemplo, era um homem da ciência, da razão, não muito afeito às emoções, apesar de demonstrar em algumas narrativas um lado mais humanizado. O bordão "elementar, meu caro Watson" é uma das frases mais marcantes, embora ela nunca tenha sido dita realmente pelo personagem de Conan Doyle.

O investigador do início do século 20, vestido em parca longa e com binóculo, é a imagem mais associada à ideia de investigação particular. Nos tempos atuais, no entanto, a tecnologia é uma das principais ferramentas do detetive particular.

De acordo com Milton Silveira, 62 anos, a nanotecnologia é fundamental. "Temos câmeras em óculos, canetas, precisamos de softwares importados de localização, equipamentos de ponta para fazer o trabalho com qualidade."

Conhecido como "Detetive Silveira", ele está no ramo há 33 anos e atua não só em Jundiaí, como em todo o Brasil e em várias parcerias com escritórios de investigação particular dos Estados Unidos, América do Sul e Europa. "A tecnologia nos permite expandir os horizontes."

CASOS DE FAMÍLIA

Silveira relata que os casos conjugais são realmente boa parte da demanda dos clientes. "É a desconfiança que nunca começou na hora. Quando o cliente busca um detetive é porque já não é mais só uma suspeita."

A partir dessa informação, o profissional começa a buscar informações pelos meios digitais e até presenciais, quando o caso demanda comprovação por fotos.

Há ainda investigação familiar, localização de pessoas e outros aspectos em que o profissional pode ajudar.

CORPORATIVO

No entanto, mesmo sendo um dos segmentos mais recorrentes, não é o único. Há ramos da investigação que atuam em parceria com as empresas para investigar prospectos de contratação, empresas com que se planeja vínculos e até vazamento de informação sigilosa.

"Jundiaí é uma cidade muito bem localizada e com uma gama de indústria, comércio e logística enorme. Então a investigação empresarial está em crescimento", avalia o detetive.

Ainda há um ramo específico que visa a busca de provas para auxiliar na advocacia defensiva, conforme determinação da Ordem dos Advogados do Brasil.

DETETIVE TEM CARA

Desmistificando aquela ideia de agente secreto 007, Silveira explica que detetive particular tem que ter "cara e nome". "Não é um trabalho que você desempenha sob alcunha, na clandestinidade. Tem que ter inscrição na prefeitura, CNPJ, seu nome, seu rosto."

Para ele, só assim é possível garantir a segurança das pessoas que procuram esse tipo de serviço e por vezes acabam à mercê de investigadores não tão profissionais assim. "Você passa todos os seus dados, abre sua vida ao detetive. Precisa confiar. Precisa escolher um profissional que passe confiança de verdade. Apelido é só de agente secreto. Detetive tem cara, nome e sobrenome."

A LEI

A Lei Nº 13.432/2017 regulamenta a profissão de detetive particular, com recomendações sobre o que esse profissional pode ou não fazer. Dentre as informações, está a de que ao detetive particular não cabe investigar crimes ou interferir em investigações policiais, a menos que seja autorizado pelo delegado de polícia.

QUANTO CUSTA?

Silveira não soube precificar completamente os serviços, já que depende de diversos fatores. "Uma investigação conjugal gira em torno de R$ 6 mil, mas tem casos mais simples que com R$ 1,5 mil se resolve."

No site cadastro-detetive.com é possível consultar a lista de todos os profissionais com distintivo de detetive particular e encontrar o Sherlock Holmes mais perto de você. "Elementar, meu caro Watson!" (Carina Reis)


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