Jundiaí

Atenção pós-covid sobe 112% nos últimos meses

SEQUELAS A pandemia, mesmo mais controlada, deixa rastros na Saúde e demanda atendimento


JORNAL DE JUNDIAÍ
Robson de Aguiar Pereira precisa fazer fisioterapia cardiorrespiratória
Crédito: JORNAL DE JUNDIAÍ

O volume de atendimentos no Ambulatório Pós-Covid em Jundiaí aumentou 112% nos último três meses comparados aos três meses anteriores, com destaque para atendimento fisioterápico, nutricional e psicológico. As pessoas atendidas pelo serviço referenciado são os pacientes em alta por internação no Hospital São Vicente de Paulo, ou que apresentaram alguma sequela da covid-19 identificada pela Atenção Básica, são encaminhados para o serviço.

De acordo com dados da Unidade de Gestão de Promoção de Saúde (UGPS), foram 526 atendimentos em agosto (174), setembro (179) e outubro (173) e 248 em maio (76), junho (75) e julho (97).

Com sequelas, Robson de Aguiar Pereira, de 42 anos, precisou de atendimento após três infecções por covid. "Essa última vez foi a pior porque fiquei com uma dor de cabeça fora do normal. Meu sistema respiratório ficou ruim e até hoje tenho dores no ouvido, nas articulações e minha visão deu uma piorada e o psicológico alterado."

Ele já fazia acompanhamentos, mas dobrou e as consultas foram antecipadas e a reabilitação é uma realidade. "Passo com neurologista, otorrino, clínico geral, pneumologista. Também estou usando medicação, prednisona, que melhorou muito minhas dores nas articulações. Agora comecei a reabilitação e está sendo bom, só de conseguir fazer, já foi bom. Aqui faço cardiorrespiratória e passo com psicóloga."

Aos 80 anos, José Eurípedes Monteiro também se recupera após apresentar dificuldades respiratórias. "Tive covid em setembro. Agora tenho falta de ar, canseira, falta de apetite e minha mão não fecha mais, os dedos não fecham. Fiquei sete dias internado, mas não precisei voltar ao hospital depois da alta. Fizeram exames em mim três vezes para saber como eu estava e me mandaram ficar internado em casa. Até agora não precisei de oxigênio também."

Agora é aguardar pela recuperação. "Por enquanto vou fazer a fisioterapia respiratória, a médica ainda não pediu fisioterapia para a mão."

Filha dele, Andréa Monteiro Firmino, de 46 anos, fala que o quadro do pai não foi tão grave porque ele estava vacinado. "A gente desconfia que ele teve duas vezes, no fim do ano passado e essa agora de setembro. Ele pegou agora depois que tomou a vacina, então estava mais protegido."

ATENDIMENTOS

Ainda segundo a UGPS, em média, de setembro de 2020, quando o serviço foi iniciado, até junho de 2021, o Ambulatório Pós-Covid atendeu cerca de 20 pacientes por semana, presencialmente. Em julho, houve aumento de 50% na oferta de vagas semanais presenciais, em decorrência da necessidade dos casos. Entre julho a setembro, o Ambulatório passou a ofertar 41 vagas de atendimento presencial por semana.

A partir de outubro, com a queda de 50% no número de casos graves que necessitam do acompanhamento especializado, o serviço foi adequado, passando a oferecer 29 vagas por semana para atendimento presencial em primeira consulta e retorno. No mês, dos 173 atendidos, 36 foram casos novos e 86 retornos. O Ambulatório Pós-Covid fica na rua Barão de Teffé, 458, Anhangabaú.

A nível nacional, pessoas que se recuperam da covid-19 já representam entre 40% e 60% dos atendimentos do programa Melhor em Casa, que oferece atenção domiciliar pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segundo a coordenadora-geral de Atenção Domiciliar do Ministério da Saúde, Mariana Borges. Antes da pandemia, a maior parte dos atendimentos era de pessoas que tiveram acidente vascular cerebral (AVC), mas agora o pós-covid já representa um dos principais atendimentos.

Procurada, a Secretaria de Saúde do estado de São Paulo informou não ter os números de pessoas atendidas em hospitais de Jundiaí após quadros de covid-19.


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