Jundiaí

Fotos mudam, mas procura pela revelação se mantém viva

RECORDAÇÃO Para guardar os momentos do 1º ano de um bebê ou um encontro de amigos, os álbuns estão mais modernos, mas ainda são montados


                   ALEXANDRE MARTINS
Perla Massa diz que diversos públicos procuram a revelação de fotos
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A fotografia passou por vários estágios, saindo do registro com máquinas especializadas até chegar às lentes do celular, porém uma coisa permanece intacta: a revelação. Em sua maioria de fotos vindas de forma digital, ainda há um público que não abre mão do hábito de ter uma cópia em casa.

A proprietária de uma loja de fotografia na Vila Rami, Heide Rossi, diz que a revelação é procurada, mas a maioria pelo sistema digital. "A gente ainda recebe filme, mas acredito que uns 80% das revelações são de fotos digitais. As pessoas mandam pelo nosso site ou WhatsApp."

Para este tipo de revelação, a funcionária da loja Perla Massa diz que a revelação indicada é a tradicional. "Para as fotos que a gente recebe pelo WhatsApp, indicamos a revelação padrão 10x15cm. Geralmente a pessoa faz um álbum, um porta-retrato. Hoje a foto é um presente, um objeto de decoração."

Sobre os filmes, Heide diz que ainda há venda, mas ela se faz mais rara a cada dia. "A gente vende filme e revela negativo, mas tem falta no mercado. Como a gente compra de uma empresa só, quando tem filme, eles nos avisam, mas teríamos que vender por R$ 90 um filme de 35 fotos. Mesmo assim, tem gente que quer filme porque a foto virou moda retrô. A gente tem medo de comprar pelo valor, mas, quando compramos, sempre vendemos tudo."

Perla comenta sobre a prática da revelação e diz que a pandemia aumentou a demanda. "Tem a procura do jovem que tem uma câmera e quer revelar as fotos, ver o que vai sair, estudantes de fotografia, que querem a foto física, o pessoal mais idoso, que tem o costume. Depois de 2020, aumentou a procura."

Também funcionária do local, que tem fotógrafos próprios para álbuns temáticos, Taís Brandini fala que a qualidade do serviço é determinante. "Nossa especialidade é acompanhamento mensal de bebês. Temos cinco sets no estúdio e todos são pensados para esse acompanhamento. A gente tem uma encadernadora, então faz o álbum profissionalizado. Todo o trabalho é feito aqui, não terceirizamos nada para não haver problemas. A foto não é impressa, é revelada, com o processo químico, para durar anos."

MUDANÇAS

Funcionário de uma outra loja de fotografia de Jundiaí, na Ponte São João, Rodrigo Florim, também afirma que as revelações são, em sua maioria, de fotos digitais. "Revelação de filme caiu drasticamente de uns anos para cá. Antes tinha revelação todo dia, agora é uma vez por semana. Filme encareceu muito, hoje é um produto meio que de luxo. Um de 36 poses custa R$ 60, R$ 70, mais a revelação das fotos, que custa uns R$ 2 cada uma. A maioria das revelações é de foto digital, filme é só quem gosta muito mesmo ou quem é mais velho."

No entanto, mesmo que a procura pela revelação tenha diminuído, é mais volumosa. "Antigamente vinha mais gente revelar, mas traziam um filme de 36 poses. Hoje vem muito menos gente, mas quem vem revela 200, 300, até 400 fotos de uma vez. Geralmente quem vem mais é fotógrafo profissional."

Sobre o futuro da fotografia, Florim acredita que possa haver uma nova tendência. "Tenho dó de quem não revela foto porque perde uma memória. O que fica no celular, as gerações futuras não vão ver. É um mercado que não acaba, se adaptou à demanda. Acho que logo as pessoas vão perceber que não estão guardando as memórias e vai ter um 'boom' de procura por revelação de novo."


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