Jundiaí

A prática do 'stalking' aterroriza as vítimas e é crime no Brasil

CRIME VIRTUAL Perseguir alguém no meio digital é crime e a pena é aumentada se for contra mulheres por razões de gênero, que são as principais vítimas


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Série "You" teve 3ª temporada recém-lançada e retrata caso de stalking
Crédito: DIVULGAÇÃO

A ação de perseguir e ameaçar a integridade física e mental de alguém é chamada de stalking e, se os meios utilizados forem virtuais, também pode ser chamada de cyberstalking. A prática, que foi criminalizada em abril deste ano, já registrou casos em Jundiaí, que estão sendo apurados pela Polícia Civil, segundo a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Segundo a lei sancionada pelo governo, assediar alguém no meio digital também é crime de perseguição e terá pena aumentada em 50% quando praticado contra criança, adolescente, idoso ou contra a mulher por razões de gênero.

As mulheres são as principais vítimas do stalking e os perseguidores podem ser pessoas conhecidas ou que possuíam algum contato com a vítima, como os ex-parceiros. Assim aconteceu com a analista administrativa Larissa Silva, de 21 anos, que foi perseguida pelo ex-namorado quando tinha 17 anos.

CYBERSTALKING

No cyberstalking o perseguidor manda mensagens e faz ligações constantes, além de aparecer no trabalho da vítima sem avisar. Com essas situações recorrentes, a vítima passa a ter medo de sair, acaba alterando a rotina deixando de frequentar diversos lugares e também sente a necessidade de restringir o acesso às suas redes sociais após as tentativas de acesso pelo stalker. O medo existe tanto na vida real quanto na virtual.

O drama de Larissa teve início após o término de um relacionamento que durou dois anos. Seu ex-namorado tentava contato de várias formas através das redes sociais, que tinham acesso restrito a ele. "Eu bloqueei o perfil dele nas redes pois não queria mais contato. A atitude dele foi criar contas falsas para me mandar mensagem, além de também tentar contato pelo perfil dos amigos dele. Isso aconteceu há cerca de três anos, eu era mais nova e não sabia lidar com a situação direito", relata.

A pessoa que persegue e aterroriza a vítima não é um admirador, é um stalker e essa prática é crime. Segundo Larissa, estar em alerta é essencial, pois nem sempre é apenas uma coincidência do cotidiano.

Com Larissa, a perseguição não foi só no ambiente virtual, a pessoa aparecia de maneira repentina nos locais em que ela frequentava. "Ele vivia plantado na portaria do meu prédio e na esquina, próximo do trabalho. Ele sabia os horários em que eu trabalhava e estudava. Isso começou a me assustar pois era muito recorrente", explica.

Além de saber sua rotina, o 'stalker' de Larissa sempre dava um jeito de aparecer onde ela estivesse. "Apesar das mensagens por contas fakes, nunca peguei ele nas minhas redes sociais, pois troquei todas as senhas, mas pessoalmente quando eu estava no shopping passeando, por exemplo, ele aparecia 15 minutos depois que eu chegava", relata.

PROVAS

Registros de mensagens através dos prints, nome que se dá a foto da imagem que é transmitida pela tela do celular ou do computador, gravações de áudios e vídeos como os de câmeras de segurança, históricos de ligações e testemunhos de pessoas que confirmem a perseguição podem ser utilizados como prova para o crime de stalking e cyberstalking.

NAS TELAS

A série 'YOU', em tradução livre 'Você', que teve recentemente a 3ª temporada lançada, é baseada em um livro da autora Caroline Kepnes e conta a vida de uma aspirante a escritora que encontra em seu caminho um jovem chamado Joe, que é um stalker. Ele faz o uso das redes sociais para descobrir tudo sobre a vida da escritora até conseguir o grande objetivo, que é fazê-la se apaixonar por ele.

Essa trama trouxe à tona as discussões sobre o quanto se expõe sobre a vida pessoal nas redes sociais, pois foi através delas que, na série, o stalker conseguiu as informações sobre a escritora.

Larissa conta que assistiu à série e acha importante a discussão, pois ela serve pra deixar as pessoas em alerta e não romantizar tantas coincidências. "Passar por uma situação dessas pessoalmente é horrível. Eu tinha constantemente a sensação de estar sendo seguida por sempre ver ele nos lugares, além do medo de acontecer o pior comigo, pois eu não queria retomar o relacionamento", detalha.


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