Jundiaí

Avanço tecnológico contribui para a inclusão digital

ACESSIBILIDADE A digitalização de processos contribui para o acesso a conteúdos por todos, mas precisa ser feita para todos, sem restrição


                ALEXANDRE MARTINS
Eliane Cristina Gutierrez Leonidas fez o implante coclear e hoje tem muito mais facilidade para se comunicar
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com a necessidade de promover maior acessibilidade, o JJ adotou a inclusão de legendas nos vídeos diários com manchetes, que são postados no Facebook, no Instagram e no Telegram.

E, com o uso da tecnologia, como a acessibilidade que os smartphones possuem, pessoas com deficiência têm cada vez mais opções à disposição para usar redes sociais e outras funcionalidades dos aparelhos. Inclusive, fazê-los as próprias ferramentas de acessibilidade.

No JJ, além do Facebook, Instagram e Telegram, há contas no Twiter, WhatsApp e o portal on-line. Estas redes têm a acessibilidade disponível através das configurações de smartphones e de outras ferramentas, como aplicativos de leitura de tela.

ACESSO

Deficiente auditiva, Eliane Cristina Gutierrez Leonidas, de 36 anos, perdeu a audição gradativamente desde os 17 anos, devido a uma causa genética. Usou aparelho auditivo bilateral e, aos 35 anos, fez o primeiro implante coclear, um aparelho eletrônico que substitui a função do ouvido interno. Depois de oito meses, fez o segundo implante. "Hoje posso dizer que sou uma pessoa realizada, pois cada som é uma música", afirma.

Mesmo com a recuperação auditiva pelo implante, Eliane usou e usa a acessibilidade do smartphone e acredita que a tecnologia já ajuda muito, mas as pessoas precisam de informação, de que, além do aparelho, há implante. "O meu celular já tem bastante acessibilidade, ele tem um ajuste de volume para aparelho auditivo, avisos de caixa postal para ligações que eu não podia atender. A pessoa que ligou recebia um torpedo com um aviso que era para enviar uma mensagem de texto porque eu sou surda. Acredito que não tenha necessidade de mais recursos, é só a pessoa saber usar e buscar conhecimento."

Usuária de redes sociais, antes do implante, utilizava aplicativo de transcrição de áudio e legendas no Youtube e em filmes e diz que o recurso é essencial. "As legendas são importantes, pois nem todo mundo sabe Libras. Por exemplo, quando eu iniciei o curso de graduação a distância, com aulas on-line, não havia legenda. Solicitei a inclusão de legendas e acabaram colocando um bonequinho intérprete de Libras, mas acabou não me ajudando. Acredito que para outras pessoas também acontece o mesmo e acabam desistindo dos estudos."

Fonoaudióloga da Associação Terapêutica de Estimulação Auditiva e Linguagem (Ateal) de Jundiaí, Bárbara Correa, faz acompanhamento com Eliane e diz que trabalha com pessoas com deficiência há anos e também acredita que falta conhecimento às pessoas. "Por mais que tenhamos os recursos, falta o conhecimento. E falta a acessibilidade do deficiente a esses recursos. Fala-se muito sobre acessibilidade pensando em gerar novas tecnologias, mas esquecem que há custos. Um implante mais moderno é mais caro, um celular com mais conectividade, com vários recursos de acessibilidade, é mais caro. A modernidade está aí, mas infelizmente só quem tem mais recursos financeiros consegue acessá-la."

Bárbara diz que a pandemia mudou as dificuldades por conta da máscara, que atrapalha a compreensão, mas, de modo geral, em relação à internet e redes sociais, a principal queixa é a falta de legenda. "Existem recursos que já colocam a legenda automática, mas muitos reclamam que acontecem delay e muitos erros. Outra queixa dos surdos que fazem Libras é a falta da janela. Muitas vezes esse surdo não sabe ler o português e aí só a legenda não é suficiente", diz ela ressaltando que há diferenças entre a surdez e a compreensão dos surdos.

REVOLUÇÃO

O Brasil iniciou o processo de implantação da rede 5G, com o leilão das frequências. Esta nova tecnologia permitirá que novos passos sejam dados no que diz respeito à digitalização de processos. Doutoranda do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp, Marina Martinelli, diz que a acessibilidade deve ser melhorada com a chegada da tecnologia, mas com ressalvas.

"Acho que vai facilitar o trabalho, de farmácias, hospitais, que terão sistemas digitalizados. Essas plataformas são potencializadas com 5G, têm mais velocidade. Mas a 5G vai beneficiar pequenos grupos com maior poder aquisitivo, porque a internet das coisas só vai ampliar acesso a que tem dinheiro para aparelhos. Há dificuldades para a 5G no Brasil hoje, a fragilidade institucional, a dependência tecnológica dos EUA e da China e a transferência de tecnologia", explica.

Marina fala que novos softwares de acessibilidade também podem surgir, como exemplo de mudança com a chegada da rede. "Vai ser uma grande mudança social, econômica e política. Todos os setores serão modificados. Já há uma digitalização ocorrendo, mas com 5G ficará mais ágil."


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