Jundiaí

Crianças estão mais suscetíveis aos perigos da internet


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Gabriela Clausa percebeu mudanças de comportamento do filho Benício
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Crianças e adolescentes são vítimas dos perigos da internet diariamente, como o vício digital, problemas graves relacionados à saúde mental e autoestima, e escassez de convívio social. Segundo especialistas, os conteúdos acessados e o tempo estimado devem ser controlados pelos pais.

De acordo com o Comitê Gestor da Internet no Brasil, 89% das crianças e dos adolescentes são usuários de internet e estão suscetíveis a conteúdos inadequados para a faixa etária.

A psicopedagoga, que atua na área da educação há mais de 20 anos, Elionay Concheto, acredita que vetar totalmente o uso de aparelhos eletrônicos não é o ideal, visto que a tecnologia também traz conteúdos benéficos para essa faixa etária. "Acredito que vetar totalmente as telas das crianças não seja o caminho ideal, mas o controle e a vigilância constante dos pais é fundamental para que elas não fiquem suscetíveis a conteúdos inadequados e não passem horas na frente de uma tela", afirma a especialista.

A empresária e mãe da Alice, de 10 anos, e do Mateus, de 6 anos, Juliana Temple Batistella, de 41 anos, autoriza os filhos a usarem eletrônicos, mas sempre com controle e vigilância quanto ao tempo e conteúdo consumido. "Acredito que a proibição não seja o caminho, mas sim o controle e o diálogo com as crianças, visto que elas não têm noção do perigo e das malícias da internet, então sempre faço a vigilância constante do que está sendo acessado", explica Juliana.

Para facilitar o controle, a mãe aproveita para saber os interesses dos filhos e analisar o perfil dos influenciadores e conteúdos assistidos por eles, através de uma filtragem. "É importante construir uma relação de confiança entre pais e filhos, para que eles se sintam confortáveis de contar o que fazem e assistem pela rede. Sempre dou preferência para conteúdos que agregam e restrinjo aqueles em que a criança fica estática, hipnotizada somente assistindo e não agrega nada. Hoje em dia há muito conteúdo bom que leva aprendizados às crianças e são benéficos", afirma Juliana.

COMPORTAMENTO

Segundo a psicopedagoga, o uso em excesso da internet afeta o comportamento das crianças. "A proximidade e a forma de se relacionar com o mundo para essa geração é idealizada por modelos de influenciadores digitais que ditam comunicação, posturas, falas, sotaques e muitas outras influências que, por vezes, não conseguimos acompanhar", afirma Elionay.

A mãe do Benício, de oito anos, Gabriela Clausa, 38, percebeu essa mudança de comportamento do filho, que começou a imitar os jeitos e falas dos 'youtubers' que acompanha. "Depois que ele começou assistir a vídeos com frequência, percebi que ele anda falando muitas gírias que ninguém usa aqui em casa, principalmente quando está com os amigos da escola, a mudança de comportamento é nítida", afirma a mãe.

CONTROLE

Para Gabriela, o controle e a vigilância é importante, principalmente durante a pandemia, pois eles passam a maior parte do tempo dentro de casa. "Estou sempre observando o que ele faz na internet e estipulei o limite de duas horas por dia. Como ele ainda é bem novo, proíbo o acesso a alguns conteúdos, como jogos violentos, vídeos que falam sobre relacionamento amoroso e outros conteúdos que não agregam valor algum", explica.

REDES SOCIAIS

Quando o assunto é crianças e redes sociais, muitos acreditam que não há o que pensar e a proibição é o melhor caminho. Como é o caso da Gabriela, que vetou totalmente o uso das redes sociais do filho pequeno. "Eu tento deixar ele o mais longe possível das redes sociais e não pretendo dar um celular para ele tão cedo. Recentemente ele baixou o 'TikTok', mas quando vi que os conteúdos eram bobinhos e não agregavam em nada, também vetei o uso e ele entendeu", afirma.

Para a psicopedagoga Elionay, as redes sociais, tal como o 'TikTok', não são recursos ideais para crianças e pode ser prejudicial à saúde mental. "A lista de danos às crianças pode incluir muitas coisas, mas as principais são: gastar muito tempo postando, buscando aceitação e simpatia; autoestima e autoconfiança prejudicadas; tendência a imitar arquivos populares sem censura; e desvalorização de atividades off-line, como brincar e fazer contato visual com amigos e família", explica a especialista.

BENEFÍCIOS

Apesar dos riscos que a internet pode oferecer, se utilizada da maneira correta, pode trazer pontos positivos para a criança, como jogos interativos que estimulam o aprendizado e também ajuda na busca pelo conhecimento, visto que a informação está na palma da mão.

(Luana Nascimbene)


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