Jundiaí

O espaço que o xadrez vem ganhando no mundo do esporte


                                       ALEXANDRE MARTINS
Cléber e Ricardo sempre iniciam a partida com um cumprimento
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Considerado um dois mais antigos e populares jogos de tabuleiro, o xadrez é sem dúvida uma das mais atraentes e intrigantes práticas já desenvolvidas. Atualmente se enquadra na categoria dos jogos esportivos cognitivos, em que são exercitadas e aprimoradas habilidades, como concentração, combinações, raciocínio lógico, matemática e memória, todos associados diretamente à prática do jogo.

No início, havia mais homens nas participações em comparação às mulheres, já que dentro do campo das competições esportivas era comum e aceitável o comportamento machista que excluía a participação feminina de práticas que envolvessem o raciocínio lógico. Da mesma forma, era comum também não incluir crianças no xadrez, pois esse tipo de atividade era ligada a jogadores com idades mais avançadas. Atualmente, o jogo é aberto para homens e mulheres, crianças, adolescentes, adultos e idosos, independentemente da faixa etária, todos os grupos na qualidade de excelentes competidores e destaque.

Cléber Rodrigues Bandeira, de 41 anos, professor de educação física no CECE Pedro Raymundo, afirma que o xadrez vem ganhando espaço e notoriedade. "Nós temos vários campeonatos, em diversas categorias. Tem espaço para todo mundo. Eu costumo falar deles para a criançada que dou aula aqui, falar das minhas experiências e motivá-las. Não necessariamente pelo estímulo à competição, mas para mostrar o valor e potencial que o jogo pode brotar em cada uma delas", enfatiza o professor.

Os praticantes costumam dizer que não se trata apenas de uma atividade de lazer e diversão, mas uma oportunidade de ambos os jogadores envolvidos mostrarem suas habilidades, potencial e estratégia de raciocínio a cada partida, em outras palavras conquistar o "rei" do adversário.

"O que eu mais gosto e me atrai é a diversidade de jogadas que eu posso fazer. São múltiplas as táticas a serem lançadas, é possível calcular as oportunidades. Um lance errado, em falso, pode prejudicar toda a partida. É preciso imaginar muito as jogadas do seu adversário", afirma Ricardo Castilho Anunciação, 14 anos, um dos jogadores que acompanha as aulas de xadrez do professor Cléber.

Castilho frequenta aulas há quatro anos e relata que elas o ajudaram muito na escola, em especial nas matérias de exatas, como matemática e física, além de ser um exercício terapêutico que o ajuda a manter a concentração e foco nas suas tarefas.

Incluir crianças no esporte é fundamental para o aperfeiçoamento de suas habilidades motoras e o xadrez é uma ótima ferramenta que auxilia nesse desenvolvimento. Davi Viotto de Moraes, 7 anos, e Daniel Viotto de Moraes, 5 anos, são irmãos e também frequentam as aulas do professor Cléber há pouco tempo, mas já demostraram empenho e boa desenvoltura durante as aulas. "Antes de começar, é importante a gente cumprimentar nosso adversário, para mostrar respeito. Minhas peças preferidas são o bispo e a rainha, porque elas são as mais fortes e fáceis de se mover. A gente precisa prestar muita atenção no adversário, em como ele joga", afirma Davi.

Mesmo com toda tecnologia que pode facilitar e tornar mais dinâmicas as partidas, ainda existe certo preconceito e reprodução de equívocos relacionados à prática do jogo. É comum associar o xadrez a um tipo de atividade lenta e destinada ao público mais velho. No entanto, essa percepção vem desconstruída e rompendo barreiras.

Segundo o professor e jogador pelo Clube de Xadrez de Jundiaí, Daniel Costa Santana, de 24 anos, o preconceito existe. "Não é um jogo de velho, aliás, os melhores jogadores do mundo moderno são os jovens, estão surgindo crianças prodígios em muitos lugares. Afirmar que é lento também pode ser um equívoco, pois quanto mais forte o jogador maior a quantidade de lances que se pode mover e analisar", esclarece Santana.

Santana diz ser apaixonado pelo jogo e que trabalha com seus alunos não somente as melhores estratégias, como também o respeito e dignidade entre os jogadores no início, durante e final de cada partida. "Minha principal tática é tentar superar as expectativas dos oponentes com lances precisos. Em alguns casos complicados nas posições quando estou perdido, ou fazer belas jogadas para independente do adversário, ter respeito pela batalha travada", diz.


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