Jundiaí

Pedidos por medicação de alto custo aumentam mais de 5 vezes

As ações solicitando custeio de medicações de alto custo subiram 462% este ano, chegando a 45, contra oito no ano passado


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Jéssica Sartori pediu liminar para receber o remédio da filha, Júlia Ohana
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

As ações solicitando custeio de medicações de alto custo subiram 462% este ano, chegando a 45, contra oito no ano passado, segundo a Defensoria Pública de Jundiaí. Número expressivo que se deve à retomada ao trato com outros segmentos de saúde.

Remédios como Imunoglobina Humana, Nivolumabe e Liraglutida, além de alguns tipos de insulina, foram os mais procurados, com gastos que chegam a R$ 13 milhões neste ano, até o momento, entre insumos e medicações.

Segundo o coordenador da Defensoria Pública de Jundiaí, Fabio Jacyntho Sorge, este aumento significativo pode ser explicado pela pandemia. "Em 2020 houve foco no tratamento da covid, então este número foi um pouco reduzido."

Dados da Unidade de Gestão de Promoção de Saúde (UGPS), revelam que em 2020 eram atendidos 227 demandas judiciais para o fornecimento de tratamentos de saúde, dentre os quais estão os medicamentos. Neste ano são 182 processos, redução de quase 25%. Neste montante, porém, há pessoas que recebem o medicamento ainda, mas podem ter feito o pedido há anos.

Este é o caso de Júlia Ohana, de 16 anos, que recebe remédio para o tratamento de uma imunodeficiência desde os quatro anos. "Hoje não sei quanto custa o remédio, ela toma há 12 anos, mas antes era R$ 8 mil. A Júlia tem agranulocitose, então produz poucos neutrófilos, que são a defesa do organismo. A medicação que ela toma se chama Granulokine, é utilizada em pós-quimioterapia, em coquetel de HIV, para recuperar a imunidade, e poucas pessoas fazem uso contínuo como ela", explica a mãe, Jéssica Sartori.

Júlia precisa usar ao menos uma ampola por dia até conseguir um transplante de medula, mas depende de um doador compatível. "Ela faz tratamento no Boldrini, em Campinas, e até eu conseguir o remédio por liminar, eu pedia lá, no São Vicente. Ela chegou a ficar uma semana sem, porque só um laboratório produzia e às vezes o remédio não chegava."

No ano passado o custo com as medicações chegou a R$ 17 milhões por meio de sentenças judiciais.

(Nathália Sousa)

 


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