Jundiaí

Homem moderno quer fugir do padrão

Nos últimos anos, foi aberta a discussão em torno da identidade do homem moderno


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Luiz Francisco Cursi Filho é criador da página "@homem_com_h_"
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Nos últimos anos, a discussão em torno da identidade do homem moderno sugere haver uma verdadeira crise da masculinidade. Afinal, o que define um homem? Se a pergunta fosse feita há alguns anos, a resposta envolveria ênfase na heterossexualidade, força física e status financeiro.

Uma pesquisa da Axe, em parceria com o instituto Promundo, com mais de 3,5 mil homens entre 18 e 30 anos, mostrou que 57% dos homens ainda se sentem pressionados a se comportar de acordo com noções preconcebidas do que é ser homem.

Até mesmo a publicidade está aprendendo a evitar estereótipos sobre as mulheres, em relação ao corpo físico, profissão e identidade de gênero e o público consumidor cada vez mais cobra pela desconstrução de ideais masculinos.

O terapeuta William Faccini, de 47 anos, é integrante do grupo "Homens que sentem" de Jundiaí. O grupo procura dar apoio para homens compartilharem problemas, dúvidas e, de forma coletiva, permitir que os membros colaborem uns com os outros através do acolhimento. "Podemos ser homens melhores, tanto para nós quanto para a sociedade e, no grupo, refletimos sobre nossos pensamentos, comportamentos e atitudes. É um grupo aberto que acolhe todas as masculinidades apoiando a comunidade LGBTQIA para consciência do masculino saudável", afirma o terapeuta.

Para William, o grupo de apoio é uma grande oportunidade para expor suas opiniões sem julgamentos. "É muito importante, pois aprendemos a não pedir ajuda, já que devemos sempre saber o que fazer, ser o melhor, mais viril e forte. Quando começamos a perceber que outros homens têm os mesmos problemas, nós começamos a encarar o mundo de uma forma diferente, menos agressiva e mais saudável", diz o integrante.

Ele afirma que a "masculinidade tóxica" pode causar dor e sofrimento através de suas atitudes. "O homem só está replicando o que aprendeu como certo, hoje vejo uma ação importante que acolhe esse homem, reconhecendo seu potencial de sair desse ciclo de violência contra todos e contra si", afirma William.

Para o psicólogo Luiz Francisco Cursi Filho e criador da página no Instagram "@homem_com_h_", a masculinidade tóxica promove a dominação de "minorias" através da violência. "Essa masculinidade através de uma busca incansável pelo poder, humilha, destrói e violenta, homens, mulheres, crianças e o ecossistema", diz o psicólogo.

Para o psicólogo, todas as masculinidades são pressionadas e violentadas pela estrutura patriarcal através da violência na infância, no "bullying" na adolescência, nas cobranças sexuais, estéticas e econômicas em toda sua vida. "As consequências de toda essa pressão e violência patriarcal sobre os homens os tornam a população que comete quatro vezes mais suicídios que as mulheres, representam 92% dos encarcerados em nosso País, e a população que mais morre por arma de fogo em confronto com outros homens" afirma Cursi. 

(Giovanna Vianna)

 


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