Jundiaí

Novo horário estimula aumento de vendas em 70%

CENTRO A expectativa é que os consumidores comprem de quatro a cinco presentes, com tíquete médio de R$ 122,78


                                 ALEXANDRE MARTINS
Odete Tabbakh ainda não sabe se vai manter a loja aberta até as 22h
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com o horário estendido do comércio do Centro e o funcionamento das lojas até as 22h a partir do próximo dia 1º de dezembro, lojistas preveem o aumento das vendas em até 70%. Para atrair os clientes apostam em promoções e premiações.

Apesar do otimismo da categoria, especialistas alertam para os gastos oriundos da expansão dos horários. Tudo deve ser colocado na ponta do lápis. Segundo o diretor de pós-graduação da UniAnchieta e especialista em finanças, Filipe Pires, a inflação e o juros altos já vêm afetando o comércio há alguns meses e com a expansão do horário os impactos serão maiores. "O principal vilão do comércio noturno é o gasto com a conta de energia que subiu muito este ano, além de arcar com pagamentos de hora extra ou contratação de novos funcionários, ou seja, tem que valer muito a pena para os comerciantes, pois se as vendas deste período forem baixas o prejuízo será enorme", afirma Pires.

Por outro lado, a aposta do comércio tem sido forte. A gerente administrativa de uma loja de roupas unissex no Centro, Andréia Zanquetta, acredita que o horário especial do comércio deve estimular o aumento das vendas e, consequentemente, do movimento da loja. "Essa ampliação de horário faz muita diferença para os lojistas e deve proporcionar um aumento de até 70% nas vendas da loja", afirma a gerente.

Por conta do fluxo intenso de pessoas que devem passear e fazer compras pelo Centro, Andréia se antecipou e contratou cerca de 15 funcionários temporários este mês. "Já contratamos vendedores, estoquistas e caixas por conta do horário e da alta demanda prevista para o final do ano. Os funcionários são temporários e devem ficar até o mês de janeiro", diz.

Pensando em atrair os clientes, a gerente vai decorar a loja nos próximos dias e promete fazer promoções em peças de roupa. "Pretendemos separar algumas promoções e também decorar o interior e exterior da loja para chamar a atenção do público que passa pela rua".

EXPECTATIVA

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio) e pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL), Edison Maltoni, em média, os consumidores pretendem comprar de quatro a cinco presentes para familiares ou amigos no Natal e o tíquete médio de cada presente será de R$ 122,78. "Entre os itens mais comprados, 61% afirmam que pretendem comprar roupas, 37% brinquedos, 36% perfumes/cosméticos, 36% calçados e 24% acessórios", afirma Maltoni.

A proprietária de uma loja de tecidos e aviamento no Centro há mais de 60 anos, Odete Tabbakh, diz que ainda não sabe se vai aderir ao horário estendido. "Vai depender muito do movimento noturno, eu estou otimista, mas ainda não consigo cravar se vou permanecer até as 22h ou não", afirma Odete.

Ela foi afetada com a inflação e juros altos, o que impactou diretamente seu trabalho. "Os tecidos importados que eu compro subiram muito por conta da alta do dólar e eu precisei repassar para os clientes, fazendo o movimento da loja dar uma caída. Os tecidos da indústria brasileira eu consegui manter o preço e espero que se mantenha até o final do ano", explica.

Para os consumidores, o especialista faz um alerta. "O cenário não é propício para ter gastos excessivos. É importante que os consumidores pensem duas vezes antes de extrapolar nos gastos, principalmente em compras por impulso", diz.


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