Jundiaí

Ruas marcam o lado feminino da história de Jundiaí

NOMEADAS A proporção de novas ruas com nomes de mulheres aumentou com o passar dos anos, mas a diferença de gênero ainda permanece grande


ARQUIVO PESSOAL
Pérola Maria Dolce se sentiu muito grata por ver sua mãe sendo reconhecida e homenageada em uma rua
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Dentre as 4.431 ruas, avenidas, vielas, travessas, alamedas e estradas do município, é possível identificar nomes de mulheres que estão marcadas na história de Jundiaí, seja na música, nos esportes, na educação e na própria fundação da cidade.

A proporção de novas ruas com nomes de mulheres aumentou com o passar dos anos, mas a diferença de gênero permanece grande mesmo nos dias de hoje, e não é preciso fazer nenhuma conta matemática para perceber que há muito mais homens nomeados do que mulheres.

De acordo com a Câmara Municipal de Jundiaí, onde são aprovadas as solicitações de nomeação, e Unidade de Gestão de Planejamento e Meio Ambiente (UGPUMA), não é possível filtrar o nome das ruas por gênero e fazer a separação destas ruas com precisão.

Avenida Dona Manoela Lacerda de Vergueiro, rua Julia Lopes de Almeida, rua Luíza da Silva Rocha Rafael, rua Professora Geraldina da Silva Rocha Pereira são alguns exemplos de vias com nomes de mulheres homenageadas.

PETRONILHA ANTUNES

Uma das ruas mais conhecidas e movimentadas do Centro é a Petronilha Antunes, localizada próxima ao terminal de ônibus do Centro. A via leva o nome de uma das fundadoras do município.

Segundo historiadores, há controvérsias na história de fundação de Jundiaí, mas a versão mais aceita remete à vinda de Rafael de Oliveira e Petronilha Rodrigues Antunes que, por motivações políticas, fugiram de São Paulo e refugiaram-se nos arredores, fundando a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro, posteriormente elevada à categoria de Vila em 14 de Dezembro de 1655.

Jeferson Soares, de 56 anos, mora e trabalha na rua Petronilha Antunes há mais de 30 anos e afirma que conhece a história da homenageada. "Eu morava na Vila Progresso e me mudei para cá depois que me casei. Como um jundiaiense de berço, eu conheço a história da Petronilha, e depois que me mudei para esta rua tive ainda mais curiosidade para conhecer melhor sobre as contribuições dela para a nossa cidade", afirma Soares.

O morador do Centro admite que não conhece muitas ruas com nome de mulheres pela cidade. "É difícil encontrar ruas com nomes femininos pela cidade, além da Petronilha, eu tenho conhecimento sobre a rua Baronesa do Japi e a rua Professora Raquel Carderelli, mas se me perguntarem quem foi essas mulheres, confesso que não sei dizer", afirma Soares.

De acordo com a professora de Literatura, Maria Cristina Castilho, a desigualdade dos nomes das ruas espelha as desigualdades da sociedade. "Antigamente era muito difícil encontrar mulheres ocupando espaço na política e em cargos de poder, muitas pessoas só enxergavam as mulheres como trabalhadoras domésticas. Todas as homenageadas desempenharam papéis muito importantes na sociedade e no município, incentivando e fortalecendo outras mulheres, mas infelizmente nunca foram valorizadas da forma que mereceram", afirma a professora.

ADALGISA NETTO DOLCE

Outro exemplo de mulher que contribuiu para a história do município e ganhou seu nome em uma rua foi a esportista e também artista plástica Adalgisa Netto Dolce, conhecida como Ziza. A rua localizada no bairro Residencial Santa Giovana, recebeu este nome em 2013, quatro anos após a morte de Adalgisa.

A filha da Ziza, Pérola Maria Dolce, se sentiu muito grata por ver sua mãe sendo reconhecida e recebendo homenagens da Câmara Municipal. "Minha mãe foi a pioneira do basquete feminino de Jundiaí, quando disputou o campeonato regional em 1932. Além de contribuir para o esporte, ela também foi artista e recebeu diversas premiações em exposições e jornais da época", afirma Pérola.

A caminhada de Ziza é motivo de orgulho para Pérola, que se inspira muito em sua luta e conquistas. "Tenho certeza de que minha mãe está marcada na história desta cidade e inspirou muitas mulheres a seguirem os mesmos caminhos".

A última mulher a ser homenageada foi Gemima de Oliveira Rosa, conhecida como Mirna Rosa, que emprestou seu nome a uma via do Recanto da Prata neste ano.

Mirna foi uma empreendedora que dedicou sua vida para formar milhares de cabeleireiros na região, após abrir seu próprio salão de beleza e escola no segmento, que leva seu nome. Mirna doava bolsas de estudos a pessoas carentes e concedia descontos nos preços dos cursos. Além disso, até hoje, a escola atende a população a preços populares. A empreendedora conseguiu influenciar milhares de jovens com seus projetos sociais e contribuições para Jundiaí.

Mirna foi duas vezes homenageada pela Câmara Municipal de Jundiaí, com comenda de honra e título de cidadã jundiaiense e, desde 1966, formou milhares de alunos de Jundiaí e outras cidades da região.


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