Jundiaí

Registro de câncer de pele aumenta 44,6% neste ano


                            ALEXANDRE MARTINS
Maria Odete Franciscon Silva está prestes a concluir o tratamento
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

No Dezembro Laranja, mês de conscientização à prevenção do câncer de pele, o alerta dos especialistas é quanto aos riscos dos tumores cutâneos, principalmente o melanoma, nem sempre percebidos. Em Jundiaí, de acordo com dados da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), neste ano, o número de atendimentos a pacientes com câncer de pele aumentou 44,6% passando de 242, de janeiro a outubro de 2020, para 350 em 2021.

Dos pacientes atendidos pelo município, cinco realizaram quimioterapia e 59 passaram por procedimento cirúrgico no HSV neste ano. Em 2020, foram 53 cirurgias realizadas no HSV e nove pacientes em quimioterapia.

TRATAMENTO

A aposentada, Maria Odete Franciscon Silva faz radioterapia no HSV depois de ter retirado um câncer de pele do tornozelo. "Eu tinha uma lesão há mais de 50 anos e sempre fazia biópsia, mas não dava nada. No ano passado, a minha dermatologista pediu para eu usar um adesivo que detectou, aí fez a biópsia de novo e diagnosticou o câncer."

Maria já fez a cirurgia para a retirada do tumor, que ela percebia irregular há bastante tempo. "Faz quatro meses que fiz a cirurgia e agora estou fazendo a radioterapia de prevenção. Preciso de 20 sessões e já fiz 15, termino já na próxima terça-feira. Tenho a pele clara, mas não muito, e usava protetor solar, mas não no local do tumor, na parte interna do tornozelo", lembra ela.

DIAGNÓSTICO

O oncologista do HSV, Arthur Maia Filho, diz que pode haver subnotificação. "Acho que os pacientes, por conta da pandemia, estão sendo menos diagnosticados. Câncer de pele tem desenvolvimento lento e as pessoas só vão chegar ao médico quando estiver avançado. Com câncer de mama aconteceu isso, caiu a quantidade de diagnósticos e depois explodiu porque as pessoas voltaram a procurar atendimento."

Arthur diz que o uso de protetor solar é a principal prevenção, visto que os raios UV trazem perigo. "A exposição aos raios ultravioleta é a principal causa, mas também tem a ver com o aspecto genético. Pessoas com pele mais clara, olhos claros, que têm muitas pintas, sinais benignos, também têm uma chance aumentada. Trabalhadores rurais, que têm uma exposição solar muito maior, também têm mais chances."

Há diversos tipos de câncer de pele, dos mais agressivos aos que raramente evoluem para um quadro grave, mas atenção é fundamental. "Uma lesão que cresce ou é irregular, que apresenta ferida, pode ser câncer de pele. Quando o paciente percebe uma lesão, a doença já não está tão inicial. Por isso, é importante a pessoa pedir para ser examinada quando vai ao médico. Precisa do olhar do médico e, se necessário, pedir encaminhamento ao dermatologista."

SUPORTE

Segundo o HSV, todos os casos são avaliados pelo médico oncologista, que direciona o paciente para o tratamento mais indicado. No hospital há a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia no tratamento.

A UGPS informa a porta de entrada de tratamento é a Atenção Primária, podendo o paciente ser encaminhado para o Núcleo Integrado de Saúde (NIS) ou para o AME e para os Ambulatórios de Especialidades da Faculdade de Medicina (FMJ) e do HSV. A UGPS acrescenta que atua no combate à doença através de orientação feita pelos médicos e pela equipe com relação ao uso de protetores solares e a importância de evitar a exposição ao sol em horários prejudiciais (das 10h às 16h).

(Nathália Sousa)


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