Jundiaí

Preço do etanol cai em média 4,2% nas bombas

JUNDIAÍ Mesmo com a leve queda, consumidores dizem não sentir a diferença quando abastecem


                      ALEXANDRE MARTINS
Valter Felippe diz ter percebido a queda nos preços, mas ela é pequena
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Segundo pesquisa de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizada em 18 postos de Jundiaí, a redução do preço do etanol nas últimas semanas foi de 4,2% na bombas. O preço médio passou de R$ 5,24 no fim de novembro para R$ 5,02 na última semana, entre os dias 12 e 18.

Essa baixa também incidiu na gasolina, mas um pouco menos. O preço caiu 0,6% em um mês. A gasolina comum tem preço médio de R$ 6,34 o litro. Custava em média R$ 6,38 na semana de 21 a 27 de novembro.

A diferença pode parecer pequena, mas diante dos aumentos constantes, o consumidor preza também pela qualidade do combustível. Para quem consome, os centavos a menos não entusiasmam ainda. Este é o caso de Cléber Moura, que usa gasolina. "Não percebi a queda. O valor que estava antes era cerca de R$ 5, agora é cerca de R$ 6 na gasolina, por isso não percebo diferença se abaixa cinco ou
dez centavos."

Abastecendo a moto, também com gasolina, Tamile de Souza Figueiredo ainda espera os descontos. "Não caiu nada. Acabei de reclamar para o frentista. Eu ainda tenho moto, então gasta menos, mas carro não dá. Antes eu enchia o tanque com R$ 37, agora está R$ 70."

Também abastecendo gasolina, Valter Felippe diz que o etanol não compensa. "Não dá para perceber muito porque uso Sem Parar, mas um pouco dá para perceber, não é muito. Se fosse diferença de R$ 0,50, a gente perceberia. Só ponho gasolina, como ando pouco, o etanol não compensa."

Mesmo a gasolina estando cerca de R$ 1,30 mais cara, compensa mais que o etanol, como afirma o gerente de um posto de combustíveis do Anhangabaú, Ricardo Rego. "Acho que etanol ainda não compensa, mesmo custando quase R$ 1,50 a menos. A gasolina rende mais."

Ele diz esperar que os preços diminuam mais. "Como teve queda, a gente espera melhora daqui para frente. Tomara que a queda continue porque os clientes esperam o preço abaixar desde o início da pandemia."

Ainda segundo a pesquisa da ANP, na última semana, a gasolina mais barata de Jundiaí estava a R$ 5,99 o litro, e R$ 6,49 a mais cara. O etanol ficou entre R$ 4,65 e R$ 5,29 o litro na variação entre os postos.

TENDÊNCIA

Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas (Recap), Flávio Campos diz que a baixa nas vendas pressionou o preço do etanol. "O produtor que reduziu o preço e os postos repassaram. A venda de etanol caiu e abaixaram o preço, mas não recuperaram ainda as vendas, o etanol ainda não compensa. A gasolina teve queda pela somatória de dois fatores, por causa do etanol e do preço da refinaria, que teve uma pequena diminuição."

Campos acredita que não tem como prever se a queda do preço do etanol vai continuar. "É questão de oferta e demanda. Estão reajustando o preço para retomar a demanda, mas também depende do estoque até a próxima safra, que começa entre março e abril do próximo ano. Depende também de como vai estar a cana. Neste ano a safra terminou antes do normal e em 2022 também não deve ser expressiva."

Para Campos, no caso da gasolina, o preço tem influência da moeda. "O que influenciou o preço da gasolina neste ano foi o câmbio. Já aconteceu situação do barril do petróleo estar caro, mas o dólar estar em R$ 2, R$ 2,50, então o preço no país não ficou tão alto. A alta neste ano só não foi maior porque a refinaria da Petrobrás passou a vender apenas o que extrai, sem importar."

A queda de preços é sentida em todo o Brasil neste mês. Segundo o Índices de Preços Ticket Log (IPTL), a gasolina ficou 0,16% mais barata e o etanol 0,17%. Este foi o primeiro recuo de preços dos combustíveis a nível nacional desde abril deste ano.


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