Jundiaí

Jundiaiense encontra no teatro a cura para a síndrome do pânico

ARTE COMO TERAPIA A síndrome do pânico, doença caracterizada como transtorno de ansiedade afeta 4% da população brasileira, segundo dados da OMS


        ALEXANDRE MARTINS
Patrícia Imperato afirma que encontrou nos palcos o tratamento para a síndrome do pânico
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O período da pandemia foi conturbado e desafiador para todas a população, principalmente para as pessoas que sofrem com a ansiedade e síndrome do pânico. É o caso da defensora pública aposentada Patrícia Malite Imperato, de 54 anos, diagnosticada em 2019 com síndrome do pânico. 

Apaixonada por arte, Patrícia é formada em piano e em canto lírico e sempre teve vontade de fazer teatro, porém só depois que se aposentou, conseguiu realizar seu grande sonho e encontrou nos palcos o tratamento para a doença. "Me vi isolada, totalmente sozinha e doente, foi então que, mesmo durante a pandemia, decidi realizar um sonho de aposentadoria, que era fazer teatro", conta.

O teatro como terapia é uma técnica alternativa cujo objetivo é estimular a expressão dos sentimentos em forma de arte. A partir dela, muitas pessoas conseguem expressar a sua raiva, angústia e medos que possuem, mas não conseguem verbalizar.

Para a aposentada, os palcos foram seu principal aliado no tratamento da doença. "A arte me resgatou, me surpreendeu e venci limitações que achei intransponíveis naquele momento e hoje me considero quase curada", afirma.

A síndrome do pânico afeta 4% da população brasileira, algo em torno de 280 milhões de pessoas, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). A doença é caracterizada como uma categoria de transtorno de ansiedade em que ocorrem crises inesperadas e recorrentes com sensações de medo, descontrole ou desespero.

Patrícia relata que sua maior dificuldade no começo foi vencer o pânico e, com a ausência de hormônios da menopausa, sua memória foi afetada. "Não queria desistir, mas a cada semana vinham novos textos e eu não conseguia decorar", a aposentada ainda conta que usa métodos naturais, remédio e dieta para melhorar a concentração, o que lhe ajuda a decorar os textos com mais facilidade.

Casos como o de Patrícia se repetem constantemente. Essa cura pelo teatro pode ser explicada de forma científica. Os exercícios feitos no teatro envolvem técnicas de relaxamento, concentração e animação. A comédia faz parte das atividades e sorrir faz bem, pois induz o cérebro a liberar endorfina, esse neurotransmissor é responsável pelas sensações de prazer e bem-estar.

Patrícia afirma que as mudanças que sentiu vão além da superação de um problema. "Consegui vencer as etapas e com um grupo de talentosos atores e professores, que me apoiaram muito, venci as dificuldades e a arte me resgatou para a vida, foi um marco na minha história, em todos os sentidos" afirma Patrícia, que atualmente atua na Escola de Artes de Jundiaí (EAJ) e é diretora da associação Almater, que atende 110 crianças e idosos, no Jardim São Camilo, em Jundiaí.


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