Jundiaí

Preferência é de aluguel de até R$ 1,5 mil na Região

IMÓVEIS 71,43% das locações no mês de novembro foram nessa faixa de preço e 52,27% em periferias


                               ALEXANDRE MARTINS
Marilha Gabriela Gonçalves Ferreira acabou indo morar em uma pensão
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

De acordo com pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), entre outubro e novembro deste ano, a locação de imóveis aumentou 36,51% na Região de Jundiaí com destaque para aluguel de até R$ 1,5 mil. Dentro desta faixa, imóveis de R$ 751 a R$ 1 mil foram os mais locados.

Jundiaí, segundo a pesquisa, é uma dos municípios que têm o aluguel inicial médio mais alto no estado de São Paulo, chegando a índices como Campinas, Santos, Sorocaba e Osasco.

Para quem procura por imóveis, pesquisar é essencial quando o valor está fora do orçamento. Este é o caso de Marilha Gabriela Gonçalves Ferreira, de 18 anos. Por procurar por uma recolocação, o aluguel tem sido caro. "Eu estava procurando um imóvel desde o começo do ano, mas pedem um caução, geralmente uns três ou quatro aluguéis adiantados. Até achei aluguel em Várzea Paulista e Campo Limpo de R$ 400, mas a localidade era ruim."

Além do aluguel, há outras despesas para quem aluga uma casa e conciliar tudo com um salário mínimo é quase impossível. "O custo de vida em Jundiaí está caro. As despesas, como aluguel, contas, mercado, produtos de higiene, acredito que uma pessoa tenha gasto mínimo de R$ 1,5 mil por mês, precisaria ganhar R$ 2 mil para não passar sufoco. Eu recebia R$ 1,3 mil de salário, não dava para tudo. Acho que falta imóvel mais barato para alugar, sou sozinha e não acho casa de dois cômodos."

O catalogador Bruno Abreu de Almeida, de 29 anos, veio de Resende, Rio de Janeiro, no fim de 2020 e, desde então, procura um imóvel em Jundiaí. "Estou morando em pensão. Ainda não achei uma casa e pensão é mais barato, mas não tem privacidade, não posso ter móveis e eletrodomésticos. O aluguel aumentou bastante na pandemia, quando cheguei aqui, achava casa por R$ 700, R$ 800, agora está R$ 1 mil. Quem recebe um salário mínimo não consegue pagar."

Bruno chegou a procurar pessoas para dividir uma casa, mas não encontrou ninguém ainda. "Já procurei casas em cidades vizinhas e bairros mais distantes do Centro também, mas ficaria mais difícil para eu chegar ao meu trabalho", lamenta.

OFERTA

Presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto diz que os imóveis de alto padrão na região têm procura alta também, inclusive por pessoas que vêm de outras regiões, mas imóveis populares têm lançamentos mais lentos. "Imóvel popular é responsabilidade do estado, não tem como cobrar isso de empresários porque não há lucro com este tipo de imóvel, o valor cobrado é o de custo. O Casa Verde e Amarela está lento e até o financiamento da Caixa, que é um banco popular, diminuiu. Teve 20% dos financiamentos neste ano, antes fazia a maioria. Mesmo assim, está tendo lucro alto, então aplica em outros lugares."

Viana também lembra que 52,27% dos imóveis alugados na Região são em bairros periféricos, contra 38,64% em regiões centrais e 9,09% em bairros nobres. "Quando a procura por imóveis nas regiões centrais sobe, os preços aumentam. É a lei da oferta e procura. Quando isso acontece, a população se movimenta para as periferias, onde os imóveis são mais baratos. Na pandemia, muitas pessoas também se mudaram para as periferias, para casas maiores, por conta do home office."

POPULAR

Em Jundiaí, a Fundação Municipal de Ação Social (Fumas) informa que o último empreendimento popular subsidiado pelo governo federal foi o Residencial Camélia, entregue em 2019, por meio ainda do Minha Casa, Minha Vida, posteriormente substituído pelo Casa Verde e Amarela.

Ainda segundo a Fumas, há 752 unidades habitacionais pré-aprovadas e aprovadas em Jundiaí para subsídio. Os projetos são no Jardim São Camilo, Caminhos do Traviú, Residencial dos Cravos, Jardim Sorocabana e Vila Nova Jundiainópolis. Estes projetos estão pendentes de aprovação final, para então estarem aptos a receber subsídio ou financiamento do Governo do Estado (CDHU) ou da União (Programa Casa Verde e Amarela).


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