Jundiaí

Tentando um 2022 melhor, famílias desejam ter um lar


                                            ALEXANDRE MARTINS
Thiago e Vanessa de Souza e Eduardo de Oliveira estão na casa há meses
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Quem passa pela avenida União dos Ferroviários pode não ter reparado em uma placa na calçada indicando que ali, na altura do 932, vivem quatro pessoas que precisam de ajuda. O curioso é a placa 'preciso de alimento, moro aqui' indica mais que um pedido de alimento: é um pedido de ajuda, inclusive para os bebês que ainda não nasceram.

Vanessa Simões de Souza, uma das moradoras, grávida de um mês, está no local há quatro meses com seu companheiro, Thiago Simões de Souza. Seus 'vizinhos', Du e Sandra, chegaram depois. "Ele (Du) morava com a esposa em uma barraca na frente do SOS, mas jogaram fogo na barraca e ele veio pedir abrigo aqui. Chamo ele de pai e a Sandra de mãe."

Vanessa conta alegre que as doações chegam aos poucos e ela tenta organizar o que tem. "Já tentaram entrar aqui, invadir, mas a gente falou que é uma casa de família. Estou tentando organizar tudo, mas precisa de roupa", diz ela mostrando as peças dobradas em uma cama improvisada como armário.

Eduardo Henrique de Oliveira, o Du, diz que a esposa Sandra Maria está grávida de quatro meses, mas eles ainda não têm nada para o bebê. "O dono da casa deixou a gente morar e pediu para eu cuidar daqui. Estava na rua há quase dois anos. O pessoal trouxe botijão de gás, fogão, cama. Tudo é doação. A gente ainda precisa de fio e madeirite para fazer um portão, geladeira, porta, janela e uma televisão", diz ele rindo.

Eduardo conta que agora tenta 'firmar' residência. "A gente vende bala no semáforo, pega reciclagem, faz de tudo. Espero que o ano que vem seja melhor, e vai ser, com fé em Deus", conta ele com Vanessa fazendo coro à prece. No quatro de Eduardo e Sandra há um tapete com a imagem da Santa Ceia pregado na parede.

COMOÇÃO

Passando pelo local, Maria Borges resolveu ajudar com doações. "Passei aqui hoje e minha filha viu a placa e falou para mim. Busquei uma cesta básica para eles e tentei ver o que eles têm e o que precisavam. Faz um tempo que tem essa placa e falaram que não têm muita ajuda. Estou vendo agora se consigo doação de porta e janela para eles", fala Maria, que na ocasião levava verduras e ovos.

ASSISTÊNCIA

Segundo a Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS), equipes estiveram no local e os dois casais relataram que têm permissão do proprietário para ocupar o espaço. Também foi constatado que as duas famílias são referenciadas no Centro Pop e no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) São Camilo, ou seja, já passaram por atendimentos nos dois serviços.

Eles foram orientados a buscar atendimento no Cento Pop. A UGADS acrescenta que a equipe do serviço de abordagem social manterá visitas regulares.

(Nathália Sousa)


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