Jundiaí

Artistas de rua lidam com a frequente instabilidade financeira


                                ALEXANDRE MARTINS
Helci Ferracini atua como estátua viva no Centro de Jundiaí há 16 anos
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Artistas que exercem atividade em praça pública enfrentam diversos desafios para se manter na profissão. O principal deles é a instabilidade financeira.

Muitos entraram no ramo por necessidade, como o jundiaiense Helci Tavares Ferracini Filho, de 43 anos, que sustenta a esposa portadora de deficiência e o filho, de 12 anos, com o dinheiro que arrecada atuando como estátua viva.

Ferracini mantém sua família apenas com a arte, pois sofreu um acidente há mais de 10 anos e perdeu o movimento dos dedos da mão, o que dificulta sua busca por um emprego fixo.

"Fui eletrocutado em casa e passei por uma cirurgia em que perdi o movimento de três dedos da mão. Por esse motivo trabalho como artista de rua. Não consigo encontrar um emprego fixo para sustentar minha família porque sempre sou recusado no exame médico", afirma.

É interpretando o 'anjo' que Ferracini compra comida para sustentar a família. "Minha esposa é deficiente e recebe um auxílio do governo, então com esse dinheiro nós pagamos o aluguel todo mês, mas é atuando como estátua viva no Centro de Jundiaí e na avenida 9 de Julho que eu consigo arcar com as despesas de casa e comprar comida", relata ao afirmar que pode lucrar entre R$ 10 e R$ 100 ao dia.

INSTABILIDADE

Exercer atividade em praça pública não traz renda fixa, portanto, sustentar a família com essa profissão instável é um grande desafio. "Vou trabalhar sempre com a esperança de que vou ganhar pelo menos um pouco. Tem dias que saio de casa sem saber se vou conseguir arcar com os custos do transporte para voltar. Agradeço a minha esposa que complementa a renda vendendo balas no semáforo", afirma.

E foi devido à instabilidade que Luis Carlos Teixeira, de 42 anos, viajou por sete estados do Brasil interpretando o 'Homem de Barro' e o 'Capitão América'.

"Comecei a trabalhar como artista porque fiquei sem emprego. Sou de Minas Gerais e no interior não tem público, era muito difícil ganhar dinheiro como artista então tive que viajar. É uma profissão muito instável e difícil de lucrar se a sua apresentação deixa de ser novidade na cidade. Quando eu era mais novo costumava viajar muito para ter público", conta o artista.

Agora ele busca algo mais fixo para poder ficar mais tranquilo. "Hoje em busca da estabilidade moro em São Paulo e costumo me apresentar em cidades do estado, como Jundiaí. Quando as pessoas enjoam da minha apresentação preciso ir para outra", relata.

FALTA DE APOIO

Teixeira percebe muitos julgamentos sobre seu emprego. "As pessoas acham que trabalhar é pegar peso, mas ser artista também é um trabalho digno. Nós trabalhamos muito e sem reconhecimento. Não é fácil contar com a ajuda de quem passa pelas ruas e avenidas, como muitos pensam. As estátuas vivas estão morrendo por falta de apoio", relata.

(Caroline Adrielli)

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