Jundiaí

2022 não deve ter retrações, mas crescimento projetado é baixo

ECONOMIA O que mais preocupa no momento é a inflação, que acumula alta de cerca de 15% desde o começo da pandemia, e deve subir mais um pouco


              ALEXANDRE MARTINS
Messias Mercadante vê indícios de que o próximo ano será positivo
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Uma palavra que define a economia brasileira atualmente é 'instabilidade'. O PIB deste ano recupera a retração de 2020, mas a inflação beira os 11%, o dólar chega a R$ 5,70 e a taxa de juros está acima de 9%. Ou seja, a produção do país foi retomada neste ano, mas o custo de vida, principalmente de quem é mais pobre, permanece alto.

Falando de uma perspectiva econômica para 2022, há visões distintas do que pode acontecer. Algumas mais otimistas e outras menos. A partir disso, economistas acreditam que o crescimento do próximo ano deva ficar entre 0% e 2%. O custo de vida, por outro lado, pode ter alguma melhora, mas o patamar pré-pandemia ainda está distante.

Mais otimista com relação a 2022, o economista e professor do Unianchieta, Messias Mercadante de Castro, fala que a economia brasileira é dinâmica e pode crescer além do esperado pela maioria dos economistas. "Existe um astral muito negativo por parte dos analistas econômicos. Eu penso um pouco diferente. Acredito que a economia brasileira pode crescer mais do que 2% em 2022", diz ele dando como exemplo a projeção de aumento da safra agrícola, em 8%; a tendência de estabilidade do petróleo e da taxa de juros; e o marco regulatório do saneamento básico, que trará melhoras a médio e longo prazos para empresas e cidadãos.

Para Mercadante, o consumo também deve ser retomado. "Tivemos uma inflação muito perversa no Brasil e, sem o Auxílio Brasil, automaticamente tivemos uma perda muito severa do poder de compra de 47 milhões de brasileiros. Ficaram desprotegidos com o desemprego e quase sem renda, então houve uma queda brutal de consumo neste final de ano, que levou à queda da atividade econômica. Mas a economia pode sim ser refortalecida gradativamente a partir do ano que vem. De janeiro a outubro, o Brasil gerou quase 4 milhões de empregos. São famílias que passam a ter renda e consumir. Tudo isso vai amadurecer em 2022."

Por outro lado, o economista e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Guilherme Moreira, diz que pode não haver crescimento em 2022. "Tivemos um PIB de 4,5% neste ano, mas no próximo ano a projeção de crescimento caminha para 0%. Neste ano recuperamos a perda de 2020, mas vamos andar de lado em 2022. Não estamos voltando ao patamar pré-pandemia porque as famílias de baixa renda estão em situação muito pior."

Um dos motivos para a baixa no consumo dos mais pobres é a inflação de itens básicos. "A gente vem de um movimento de inflação grande, que começa em 2020. Houve aumento, principalmente de alimentos. Em 2021 foi acrescida a alta do câmbio, da energia elétrica e do transporte. Em 2020, a inflação não foi explosiva, ficou em 5%. Neste ano, é de cerca de 10%, mas em cima dos 5% do ano passado. Para 2022, é esperada inflação de 5%, então já vai chegar em 20% desde 2020. É uma perda muito grande e maior para as famílias de baixa renda."

SETORES

Para a Indústria, tanto local quanto nacional, o ano de 2022 será desafiador, como explica o diretor de Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Jundiaí, Marcio Ribeiro Julio. "Temos a ruptura da cadeia logística, os fretes estão altos e há escassez de produtos, o que impacta nos custos da indústria. A ruptura dessa cadeia acontece na China também e impacta a compra de produtos de lá. Acho que em 2022 o dólar vai ficar na faixa de R$ 5,20, R$ 5,30 e vamos ter ainda a estagnação de produção com a inflação. Há uma população consumindo e a produção que não acompanha".

Para o Comércio, que foi impactado pelo fechamento durante a pandemia e hoje é pela perda de renda da população, apesar dos desafios, a expectativa é positiva para 2022. "O comércio, assim com outros setores da economia, vem sofrendo com a inflação alta, que diminui o poder de compra do consumidor e atinge diretamente o empresário. Por isso, acreditamos que o cenário para 2022 será melhor do que foi nos anos anteriores, mas também desafiador, inclusive no comércio local, que segue a tendência nacional", diz Mark William Ormenese Monteiro, presidente da Associação Comercial Empresarial (ACE) de Jundiaí.

Do mesmo modo, o presidente da Câmara de Dirigentes Logistas (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomercio) de Jundiaí, Edison Maltoni, enxerga o próximo ano com esperança, mas lembra que a gestão empresarial é importante. "Após quase dois anos do início da pandemia de covid-19, o varejo parece, enfim, vislumbrar um retorno à normalidade. Apesar de as restrições impostas terem influenciado diretamente o desempenho do setor, a flexibilização e a intensificação da vacinação contra o vírus aumentaram a expectativa para a retomada. Diante disso, os varejistas esperam um 2022 desafiador, ainda com reflexos da pandemia, mas com esperança de crescimento."


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