Jundiaí

Preços de seminovos se estabilizam em alta

VEÍCULOS Com a produção de novos ainda lenta, o mercado busca pelos usados bem conservados


         DANIEL TEGON POLLI
Rafael Teixeira diz que lançamentos sobem vendas neste início de ano
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

Até que os carros zero quilômetro cheguem em maior volume às concessionárias, os seminovos continuam sendo muito procurados, mesmo com os preços valorizados, chegando a 65%. Em Jundiaí, a expectativa é boa para o setor neste início de ano.

Segundo o gerente de vendas de uma concessionária de Jundiaí, Rafael Teixeira, os usados começam a ter manutenção de preços. "Carros usados deram uma estabilizada, mas na pandemia houve elevação dos valores. Teve aumento na tabela Fipe por conta da falta de carros zero quilômetro, então os usados ficaram mais valorizados. Estabilizaram, mas com valor alto."

Teixeira diz que os veículos novos tiveram alta nas vendas no fim do ano passado e há procura por lançamentos neste início de 2022, mas ainda existem problemas de produção. "Carro zero ainda está em falta por conta da crise de semicondutores. Isso deve durar neste primeiro semestre. Os veículos zero estão mais caros por uma questão econômica mesmo, da inflação. Tem falta de peças e o dólar está alto, isso fez os carros dispararem."

Mesmo com a alta procura, é possível garantir estoque. "Acho que isso acontece por ter tido uma quantidade boa de vendas no fim do ano passado. As marcas fizeram feirões e as vendas deram uma aumentada. Agora, pela questão econômica, tem que criar campanhas, oferecer IPVA quitado, documento e emplacamento como cortesia da loja, algum acessório que agrade o cliente", acrescenta.

O sócio de uma loja de veículos seminovos de Jundiaí, Rodrigo Santiago, relata que há casos em que o usado tem compensado mais, e o cliente busca isso. "Acontece do cliente querer um carro popular zero quilômetro e acabar comprando um usado, ano 2018, por exemplo, com mesmo valor, mas melhor e mais espaçoso. Na prática, a gente ainda continua com dificuldade para repor o estoque de usados, mesmo com a alta da Fipe. As pessoas percebem que vendem o carro valorizado, mas compram outro que está com o valor acima do que era há três ou quatro meses, então desistem. Um carro que valia R$ 15 mil hoje vale R$ 25 mil."

Santiago diz perceber estabilidade de preços, mas ela acontece com alta. "Muitos carros estão sendo comercializados na Fipe, algo que tinha até sido deixado de fazer. O preço médio de mercado, valor que são vendidos, já está abaixo do valor da Fipe. É pouco abaixo, mas acredito que a queda no valor de veículos, que deve acontecer neste ano, seja muito mais lenta do que foi a alta."

ÍNDICES

De 2020 para 2021, a produção de veículos aumentou 11,6% no Brasil. Para este ano, a expectativa de aumento é de 9,4% em relação ao ano passado. Essa projeção, feita pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), anima não só quem deseja comprar um veículo novo, como também quem busca um seminovo, já que os preços de carros usados subiram em razão da escassez dos zero quilômetro no mercado. O aumento de produção até o momento faz com que os seminovos tenham certa estabilização de valores, mas ela acontece em um ponto alto.

Somente em 2021, de acordo com o Monitor de Variação de Preços da Kelley Blue Book (KBB) Brasil, empresa especializada em pesquisa de preços de veículos, a inflação chegou a 9% para os carros 0 km no acumulado do ano. Considerando apenas os modelos 2022, chega a 18,4%. No caso dos usados, os automóveis que têm entre quatro e dez anos de uso subiram mais de 22% no período. Lojistas acreditam que possa haver queda nos preços neste ano, mas em uma velocidade muito menor.


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