Jundiaí

Materiais de construção sofrem reajuste de até 80%

NA PANDEMIA Mesmo com a alta de preços, as vendas no setor superaram as expectativas dos lojistas


                      DANIEL TEGON POLLI
Carlos Favaro conta que o setor ainda sofre com escassez de materiais
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

Em alta durante a pandemia por conta do isolamento social e home office, materiais de construção sofreram reajustes de até 80% ao longo dos últimos dois anos, com destaque para latas de tinta, impermeabilizantes e materiais de aço e cobre.

De acordo com o presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção Jundiaí e Região e proprietário de uma loja do setor, Carlos Eduardo Favaro, o isolamento social gerado pela pandemia estimulou as vendas nas lojas de materiais de construção. "O movimento das lojas foi alto neste período. Eu acredito que muita gente ficou em casa trabalhando em home office e precisou fazer pequenas reformas de adaptação, além de aproveitar para terminar obras em andamento e fazer pequenos reparos na residência", afirma o presidente.

Outro fator que também contribuiu para o aumento das vendas foram as construções, desencadeadas pela chegada de novos condomínios na região. "Nos últimos anos deu para perceber a chegada, cada vez mais intensa, de condomínios de luxo em Jundiaí. Recebi muitos clientes que compraram lotes e estavam no início das obras da casa", diz Fávaro.

REAJUSTE

Essa procura elevada acarretou em escassez de matérias-primas, como alumínio, aço, cobre, embalagens e plástico e, consequentemente, fazendo os preços dispararem. "Principalmente no começo da pandemia, entre 2019 e 2020, teve produto que teve o preço triplicado com os reajustes. Somente no segundo semestre do ano passado que os valores estabilizaram, mas continuam altos", afirma Favaro.

Para o presidente da associação, 2022 ainda é uma incógnita em relação aos preços. "Como é ano de eleição, muita coisa pode mudar, será um período de dúvidas. Há a esperança dos preços se estabilizarem ao longo do ano, mas produtos importados, tintas e impermeabilizantes ainda estão com preços bem acima do ideal", finaliza.

EXPECTATIVA

Por conta do aumento dos preços, o proprietário de uma loja de materiais de construção, Fábio Tortorella, não está esperançoso com aumento das vendas neste ano, mas espera que a procura se mantenha. "Como os últimos meses já superaram as expectativas por conta da pandemia, a meta é manter esse volume de vendas, pois acho muito difícil que aumente de novo. O aumento de preços recorrente e a falta de produtos desde o início da pandemia fez o otimismo diminuir", diz Tortorella.

Com o reajuste, os produtos tiveram aumento de até 40% nos preços desde o início da pandemia. "Até os produtos nacionais tiveram os preços elevados, como alumínio e cobre. Além dos aumentos, também cresceu a demanda, principalmente pelas latas de tinta, rolo de pintura e produtos de prateleira", afirma o proprietário.

NA PANDEMIA

Para o funcionário de outra loja de materiais de construção, Antônio Carlos Júnior, mesmo com o reajuste chegando na marca dos 80% nos produtos, as vendas da loja dispararam durante a pandemia. "O movimento foi excelente, e nos meses que tivemos que fechar as portas por causa das restrições, continuamos trabalhando com entregas para não perder clientes", afirma Júnior.

O funcionário admite que as vendas continuam boas, com aumento em todos os setores da loja, mas atualmente o item mais vendido são os impermeabilizantes. "Após as chuvas intensas nas últimas semanas, a procura por impermeabilizantes teve alta procura. Também posso dar como exemplo a venda de torneiras, materiais para pequenas manutenções e de pintura, que está em uma crescente", explica.


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