Jundiaí

Aço, areia e cimento puxam alta na construção civil

MATERIAL DE CONSTRUÇÃO Elementos utilizados no alicerce são os vilões do momento para quem constrói em Jundiaí e Região


 DANIEL TEGON POLLI
Antonio Carlos Marques Junior relaciona as altas ao valor do combustível
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

Ao contrário do que foi visto em 2020 e 2021, quando o mercado da construção civil estava a todo vapor em Jundiaí e Região, mesmo com reajustes de materiais, neste ano, até o momento, uma pequena retração já é sentida. A alta expressiva de preços dos materiais, sobretudo os de base, como aço, areia e cimento tem assustado os consumidores.

Segundo o presidente da Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região (Proempi), Paulo Oliva, não é possível estimar a alta geral de preços neste começo de 2022, porém, considerando os principais insumos, a chamada curva A, estima-se uma alta de 10 a 15%. "Entre os principais motivos para essa alta está o custo de frete", adianta.

Entre os materiais, os principais aumentos impactam o alicerce. Segundo Oliva, cimento e blocos de concreto subiram 10%, concreto, 20%, o aço subiu 15%, assim como revestimentos cerâmicos. Tubos de PVC aumentaram 5%. "Não podemos dizer que o preço dos materiais seja o principal problema da construção civil, mas com certeza é um dos principais. Outro ponto relevante é a escassez de mão de obra que implica diretamente na diminuição da qualidade dos serviços."

Por conta disso, o setor que vinha de vento em popa acabou sendo refreado. "Essa alta no preço dos materiais associada ao aumento da taxa de juros, a Selic, deve provocar uma retração significativa no setor", avalia Oliva.

MATERIAL PESADO

Comprador de uma fornecedora de materiais de construção, Antonio Carlos Marques Junior conta que o combustível provoca reação em cadeia. "Teve aumento geral, mas o que a gente vem sentindo é que os materiais que dependem de transporte, como areia, tem mais gastos. Aço também aumentou bastante, mais de 20% desde o começo do ano. Cimento aumenta todos os meses, sempre R$ 1, mas neste mês aumentou R$ 3 o saco. PVC também teve alta, mas o que a gente mais sente é o básico, cimento, areia e aço."

Os últimos aumentos vêm gerando impacto, segundo Junior. "A princípio ainda tem venda, estava até aquecido, mas com os últimos aumentos a gente sentiu uma diminuição. Como é recente, dos últimos 15 dias, não sente muito ainda, mas teve uma quedinha."

E o perfil de compra também mudou. "Teve muito cliente que tinha estimativa de um valor para a obra e quando começou a fugir do orçamento, parou. Só continuou quem tinha dinheiro disponível. Teve gente que mudou projeto, mexeu na área construída e até quem ia reformar, começou, mas depois deu uma segurada."

Presidente da Associação de Comerciantes de Materiais de Construção (Acomac) de Jundiaí e Região, Carlos Eduardo Fávaro diz que os reajustes são constantes. "A construção tem dois elementos-chave. O primeiro é o cimento e aço que puxaram o aumento e mais impactam nas obras. Cimento teve dois reajustes acima de 10% em um intervalo de um mês e meio. O aço vem subindo por quinzena ou semana."

O problema da reação em cadeia também chega aos derivados do dois materiais. "O cimento, além do saco, que está quase R$ 40, é usado em fabricação de blocos, lage, argamassa. O concreto usinado, que é bastante usado em obras, está custando R$ 400 o m3. Antes da pandemia era R$ 180. O aço também, é usado para fabricar pregos, arame, ferramentas."

De modo geral, Fávaro vê um bom começo de 2022, mas abril começa a ter certa retração. "Teve muita chuva em janeiro e prejudicou as vendas porque é um setor que precisa de tempo bom. Em fevereiro teve uma melhora e, acabando as sanções com relação à pandemia, as pessoas se sentiram mais seguras para comprar. Março foi um mês muito bom também, mas em abril a gente já sentiu uma queda, não sei se porque teve bastante feriado ou por causa dos preços."


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