Jundiaí

Inflação geral de alimentos já atinge 30,8% desde 2020

MERCADO Um alimento que custava R$ 5 em 2019, passou a custar R$ 6,54 neste ano, e consumidores reclamam dos aumentos


 DANIEL TEGON POLLI
Claudete Calheiros reclama do aumento de preço de proteínas, como frango e ovos, e laticínios ultimamente
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

A inflação que incide sobre os alimentos vem subindo ano a ano de forma mais intensa desde o início da pandemia. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em abril, a inflação de alimentação foi de 7,16% em São Paulo. Com isso, acumula alta de 30,8% desde 2020 no estado.

Segundo o IPCA, os alimentos com as maiores altas no último mês em São Paulo foram tubérculos, raízes e leguminosas (11,95), hortaliças e verduras (7,70), leite e derivados (6,36) e óleos e gorduras (6,04). Esses também são os alimentos que acumulam os maiores reajustes neste ano, 50,17%, 52,74%, 13,57% e 12,71%, respectivamente.

A empresária Claudete Calheiros percebe aumento em tudo. "Tenho sentido muito aumento. Leite subiu bastante, assim como proteína, carne, peixe e ovos. A gente até muda o que compra, mas a impressão é de que você fica sem saída. Não podemos consumir porcaria, senão a conta do remédio é mais alta", diz ela sobre o valor também maior dos medicamentos.

Após abrir um negócio próprio na pandemia, Claudete sente dificuldade em equilibrar os gastos e o que ganha. "Para mim essa alta de preços está bem constante porque antes eu não trabalhava na área que estou agora, comecei um negócio de bebidas probióticas na pandemia e preciso diminuir minha margem e ir atrás de insumos mais baratos para sobreviver."

Desempregada, Cícera Maria Santos Moura reclama dos legumes e hortaliças. "Tomate, batata, chuchu, outros legumes e verduras, tudo está caro. Está complicado comprar. O quilo do tomate está R$ 15. Um pezinho de alface é R$ 5, antes era R$ 2. O quilo de maçã está R$ 12. A pessoa desiste de comprar essas coisas, não dá para comer. Quem não ganha bem passa necessidade."

Outros produtos também pesam. "Arroz está quase R$ 30, uma cartela de ovo com 24 está R$ 20. Carne muito cara também. Comprei só produto de limpeza e gastei R$ 60. Não me lembro de outra época que alimento esteve tão caro como está agora. Ainda tem o gás que também está absurdo, R$ 120 um botijão."

TUDO AO MESMO TEMPO

Economista e professor do Unianchieta, Messias Mercadante explica que há diversos motivos para a inflação na mesa. "Temos um conjunto de fatores. Tivemos estiagem forte no Sul e no Centro-Oeste que prejudicou as safras agrícolas e a oferta de alguns alimentos. A guerra na Europa também tem dificultado a produção agrícola da Rússia e da Ucrânia e o envio para o Oriente. Os fretes estão muito mais caros porque houve atraso nas cadeias de produção mundial e a demanda concentrada ficou atrasada, provocando excesso de demanda. Com a pandemia o frete marítimo também diminuiu e agora o preço subiu. Tudo isso provoca aumento de custos."

Também professor de economia, do Mackenzie, Hugo Garbe, diz que as famílias de baixa renda sentem mais a inflação pelo custo de itens básicos, mas há esperança de melhora. "Há uma perspectiva a partir do segundo semestre de ter um decréscimo no preço dos fertilizantes, no petróleo e isso pressiona o preço de produção do agronegócio e, consequentemente, dos alimentos para baixo, principalmente das commodities, como trigo, milho e soja. Mas isso não é rápido, porque a queda do preço não é tão rápida como o incremento."


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