Jundiaí

Alta dos combustíveis estimula venda de motos

ECONOMIA O transporte caiu no gosto dos consumidores que querem gastar menos no ir e vir


 DANIEL TEGON POLLI
Cristiano Lacerda conta que a procura por motos subiu mais de 50% desde 2021, em parte pelo combustível
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

Pela primeira vez em mais de 30 anos, a quantidade de motos vendidas no Brasil é maior do que a de carros neste início de 2022, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No estado de São Paulo há mais de 5 milhões de motos e o número de primeiras habilitações para a categoria A cresceu 65% de fevereiro a março deste ano, de acordo com o Detran-SP.

Em Jundiaí, o Detran-SP foi procurado, mas não respondeu sobre as novas habilitações para pilotar motos até o fechamento desta edição. Os lojistas, porém, percebem procura maior no segmento. Gerente de uma loja de motos, Cristiano Lacerda conta que o veículo virou opção mais viável no momento.

"Com a alta do combustível, todo mundo procura alternativa para economizar e fugir do trânsito. Tem uma fatia de consumidores que também compra para passear fim de semana, mas para isso procuram geralmente moto grande e nós temos mais baixa cilindrada", relata.

Ele diz que de 2021 até agora a alta supera 50%. "Calculo que a procura por moto subiu mais de 50% do ano passado para este ano. Só hoje já vendemos três motos. O problema agora é a alta da Selic porque mais de 60% das vendas são financiadas e boa parte também é vendida no cartão de crédito. Sempre há parcelamento."

Porteiro, Lucimar Gomes de Sousa resolveu investir em uma moto para ir trabalhar. "É mais por conta do combustível e porque é mais fácil estacionar moto, porém tem algumas dificuldades. Só leva duas pessoas, é ruim na chuva, mas eu costumo andar sozinho. Para mim, moto é melhor, sempre foi mais prático. A moto encareceu, mas qualquer carro é R$ 30 mil, R$ 40 mil e financiado sai R$ 80 mil."

DIA A DIA

Gerente de outra loja de motos em Jundiaí, Allan Ricardo Rodrigues, estima alta de 30% nas vendas neste ano. "Subiu bastante a venda, uns 30%, por causa do combustível, mas está um pouco difícil repor estoque. Tem bastante oferta de venda, mas é difícil achar motos de qualidade para revender."

Quem procura mais, de fato, é para substituir outra locomoção. "A procura maior é para o ir e vir no dia a dia. O pessoal entende o preço, mas está um pouco fora de mercado. Tinha ideia de preço antes da pandemia e aumentou uns 40% o valor final de venda. A maioria ainda procura financiamento, uns 70% financiam."

DUAS RODAS

Edson Assis é gerente de uma loja de bicicletas e diz que a pandemia fez a procura aumentar. "Com a covid, aumentou procura por bicicletas, tanto que faltou no mercado, mas agora deu uma normalizada. As pessoas compram para lazer e para trabalhar, mas o problema é a falta de interligação e de segurança nas ciclovias em Jundiaí. Uma pessoa que mora aqui e trabalha na Várzea, por exemplo, precisa alternar entre ciclovias e vias normais."


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