Jundiaí

Mercado aéreo cresce cerca de 30% em Jundiaí

ALÇANDO VOO Segundo dados da Rede Voa, a quantidade de pousos, entre janeiro e abril deste ano, aumentou 34,8% e decolagens foi de 41%


 DANIEL TEGON POLLI
Marcelo Orsolini explica que cotas de compartilhamento correspondem a um quarto da aeronave
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

Empresários do setor de aviação estão satisfeitos com a procura por aeronaves nos últimos meses. Quem vende aviões ou cotas deles relata crescimento de cerca de 30% no último ano. Isso se deve à redução de voos comerciais no período, à necessidade de executivos e ao momento da economia.

Em Jundiaí, no aeroporto Comandante Rolim Adolfo Amaro, há voos comerciais, mas majoritariamente a operação é de aviões executivos e de instrução. Segundo dados da Rede Voa, administradora do aeroporto, a quantidade de pousos, entre janeiro e abril deste ano, aumentou 34,8%. De decolagens, no mesmo período, chegou a 41%.

Segundo o diretor de vendas da Plane Aviation, Sérgio Beneditti, representante de duas marcas de produção de aeronaves, a maioria dos clientes não é da Região, mas compra por necessidade. "Cerca de 90% dos clientes usam o avião como ferramenta de trabalho. A pandemia deu uma alavancada no mercado por causa da aviação comercial, mas a economia é mola propulsora e o momento é propício para negócios. Diria que o aumento nas vendas foi de 25% do ano passado para este ano."

Segundo Beneditti, o preço de aeronaves teve apenas reajuste padrão e a manutenção de um avião é cara, mas não tanto quanto possa parecer. "Existe uma ideia errônea de que é caro demais manter, mas não é verdade. O custo operacional de algumas aeronaves é similar ao de um carro de luxo. O que acontece muito nos EUA, e não no Brasil, é a pessoa comprar para ser o próprio piloto. É como manter um motorista no carro. Se não tem, diminui o custo."

DIVISÃO

Gestor comercial da Solojet, que faz intermediação de vendas e gerencia a copropriedade de aeronaves, Marcelo Orsolini explica que a aquisição compartilhada é uma tendência nova. "O cliente é aquele que faz uso de aviação com frequência, mas não com tanta expressividade que justifique a compra. Uma pessoa que faz até 120 horas de voo por ano é o cliente ideal. O que disponibilizamos não é um clube de uso, é a porcentagem de um ativo. Dividimos o avião em quatro partes e cada cliente tem 25% do ativo. A preocupação do cliente é realizar a reserva da aeronave quando precisar. Toda a operação é conosco."

"Hoje tenho cota a partir de U$ 450 mil. É o valor de um apartamento razoável. Começamos com esse programa em dezembro do ano passado e até agora a procura aumentou pelo menos 90%", diz Orsolini, que estima, no modelo, economia de 50% em relação à aquisição de uma aeronave e 30% ao fretamento costumaz.

Sócio da Air Training, empresa de treinamento de pilotos e gerenciamento de aeronaves, David Barioni diz que o compartilhamento começou há um mês na empresa. "A modalidade de cotas é perfeita. Você paga 20% do avião e utiliza esses 20%. A média de uso de uma avião no Brasil em voos executivos é de 80 horas por ano, mas as aeronaves podem voar 700 horas por ano. A dificuldade de entrega também é mundial. Dependendo do modelo, a espera é de um a três anos para a compra. Trabalhamos também com usados, que são uma ótima opção para
compartilhamento."

David ainda reforça o porquê da aviação executiva estar ganhando cada vez mais terreno. "O Brasil tem 5,7 mil municípios e 4,4 mil aeroportos. Destes, 1,4 mil são asfaltados. Empresas comerciais operam em apenas 150 cidades. O empresário que tem filial, fazenda, não consegue se deslocar com empresa aérea, precisa ser a aviação de negócios. A venda de aviões executivos aumentou pelo menos 20% desde o ano passado."

 


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