Jundiaí

Com alta do dólar e inflação, lojas de R$ 1,99 precisam se reinventar

AUMENTO DE PREÇOS Nem as tradicionais lojas mais baratas conseguiram controlar os reajustes e estão perdendo cada vez mais espaço no comércio


JORNAL DE JUNDIAÍ
Aline Sena diz que o aumento de preços causa indignação nos clientes
Crédito: JORNAL DE JUNDIAÍ

Prejudicadas pela inflação e alta do dólar, tradicionais lojas de R$ 1,99 vêm perdendo cada vez mais espaço no comércio do município e precisam se reinventar para sobreviver ao aumento de preços constante.

Para a vendedora de uma loja de utilidades na Vila Arens, Nayara da Silva, nos últimos meses a perda de clientes foi elevada. Segundo ela, o principal motivo da queda nas vendas foi o reajuste de preços dos produtos da loja. "Muitos clientes entram na loja e reclamam por conta dos preços terem aumentado, principalmente após a pandemia. A gente tenta segurar o máximo possível os reajustes, mas não dá para continuar vendendo tudo por R$ 1,99. Quem insistiu em manter a loja com esses preços com tanto aumento, quebrou", afirma a funcionária.

Fundada em 2016, a loja sempre foi reconhecida pela venda de utensílios domésticos, como potes e copos, e papelaria, tudo por R$ 1. Hoje em dia o carro-chefe são os alimentos. "Vendemos itens de papelaria, doces e guloseimas, brinquedos e utensílios domésticos. Atualmente, a maior procura é pelos alimentos, na maioria das vezes vendidos em grande quantidade. Com a alta dos preços, a loja passou por essa mudança de perfil", diz Nayara.

AUMENTO DE PREÇOS

De acordo com a vendedora, a loja ainda consegue segurar alguns produtos entre R$ 1 a R$ 1,99, mas não representam nem 20% da loja. "A loja foi criada com a intenção de vender tudo por R$ 1, mas a crise econômica impediu isso. Antes da pandemia, 80% dos produtos custavam R$ 1, hoje em dia já não é tão fácil encontrar itens neste valor", lamenta a funcionária.

Para sobreviver a alta da inflação e não perder mais clientes, a loja tenta manter os preços abaixo de R$ 10. "Nossa estratégia é manter sempre os preços abaixo das lojas específicas. Por exemplo, vendemos lápis, borrachas e estojos mais baratos que as papelarias, assim como os doces, utensílios domésticos e brinquedos. Atualmente, 80% de todos os produtos da loja custam entre R$ 1 a R$ 10", explica Nayara.

PREJUÍZO

A funcionária de outra loja de presentes e utilidades no Centro, Aline Sena, admite que está cada vez mais difícil manter os preços baixos. "Apesar de vender produtos com preços baratos, não podemos mais dizer que se trata de uma loja de R$ 1,99. Assim como outros comércios, também tivemos que aumentar o valor dos produtos por conta dos reajustes", afirma a vendedora.

Segundo Aline, a maioria dos produtos na faixa de preço entre R$ 1 a R$ 10, são os itens de papelaria. "Ainda temos alguns itens que custam R$ 1,99, como borrachas, tesouras, lápis e canetas. Desde o início da pandemia, todos os produtos que chegam na loja vêm com o preço mais alto, então temos que repassar parte do valor ao consumidor final", lamenta.

Mesmo mantendo os preços mais baixos que outros comércios, Aline diz que os reajustes causam indignação em alguns clientes. "Infelizmente os aumentos acontecem e não conseguimos segurar 100%. A maioria dos clientes reclama e a loja acaba perdendo índice de vendas por causa dos reajustes frequentes", conclui a lojista.


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