Jundiaí

Jundiaí recicla mais de uma tonelada de lixo eletrônico por mês

COLETA Os materiais eletrônicos, quando não servem mais, devem ser direcionados para locais adequados para que os mesmos façam a triagem correta


 DANIEL TEGON POLLI
Quando os materiais chegam, é feita a triagem e eles são destinados a empresas de transformação, onde são processados para serem reaproveitados no mercado
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

Em Jundiaí, a média mensal de lixo eletrônico processada pelo Gerenciamento de Resíduos Sólidos (Geresol) é de 11 quilos por mês de materiais eletrônicos, como computadores e celulares, e 1.024 quilos por mês de materiais finos, que compõem resíduos eletrônicos, como cobre e alumínio.

Segundo a Unidade de Gestão de Infraestrutura e Serviços Públicos, os equipamentos eletrônicos são recebidos em todos os ecopontos distribuídos por alguns bairros, como também no Geresol, onde são separados. O material é recebido por diversas fontes, desde o descarte dos munícipes, como por empresas de pequeno porte que o destinam aos endereços mais próximos.

Esses materiais e equipamentos, quando chegam ao Geresol, já não possuem condições de manutenção e nem reutilização. Não há uma destinação única para esse tipo de material. Cada componente ou material é destinado a diversas empresas que realizam os processos de queima, derretimento e transformação em outros materiais para novos componentes.

EMPRESARIAL

Proprietário de uma empresa de reciclagem de lixo eletrônico de empresas em Jundiaí, Guilherme Gonçalves explica que recebe o material, faz a triagem e destina a empresas de transformação. "Trabalhamos com empresas por causa do volume. O resíduo de pessoas físicas tem valor pequeno. Essa reciclagem é boa tanto para a economia circular, reutilizando matérias-primas e reduzindo a exploração, fora outros materiais que podem contaminar o solo em descarte incorreto. Reduz também o descarte em aterros sanitários, que é completamente errado."

Gonçalves conta que há conscientização das empresas e respeito à política nacional de resíduos sólidos, mas muitas ainda não se adequaram ao descarte correto. "As empresas vêm sendo cobradas e têm cada vez mais consciência. Com certeza é uma tendência aumentar. Essa coleta tem um valor e empresas menores às vezes ainda não têm essa consciência, não entendem o custo desse descarte correto. Por ano recolho aproximadamente 450 toneladas, recolhemos do Brasil todo, mas principalmente Sul e Sudeste."

Sócio-proprietário de uma empresa de de reciclagem com sede administrativa em Jundiaí e operação na Região Metropolitana de São Paulo, Alexandre Viana diz que a reciclagem de lixo eletrônico já vem em alta e tende a aumentar. "Atendemos todo o interior do estado com a coleta de materiais. Emitimos certificado para as empresas e vamos lançar um selo chamado 'círculo verde' para as empresas que fazem esse descarte correto. Atualmente atendemos B2B (de empresa para empresa), mas temos um projeto que visa atender o consumidor final."

Apesar de 12 anos de operação, ele enfatiza que de quatro anos para cá a empresa tem sentido um aumento importante no recebimento de materiais. "Muitas empresas trocaram o material de trabalho na pandemia e a curva foi muito acelerada. Em 2022, a tendência é manter e que haja crescimento nos próximos anos. Acredito que vá demorar para chegarmos a um platô. Hoje recebemos entre 200 e 250 toneladas de lixo eletrônico por mês", conta Viana.

Ele ainda explica que, além da consciência ambiental, o descarte correto entra na agenda ESG de empresas (governança ambiental, social e corporativa). "A gente recebe o material, faz o desmembramento, seleção e destina às empresas correspondentes. Um monitor, por exemplo, tem plástico, placas eletrônicas, cabos e LCD ou cristal líquido e cada material vai para uma indústria. Se descartar material eletrônico em lixo comum, agride o meio ambiente. Um mouse que seja, prejudica o planeta."

 


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