Jundiaí

Auxílio para caminhoneiros ajuda, mas revisão de frete seria solução

O Benefício Emergencial para a categoria pagará R$ 1 mil mensais até dezembro para autônomos cadastrados no RNTR-C


 DANIEL TEGON POLLI
Valdeci Almeida acha que a revisão de frete ajudaria muito mais a categoria, que não recebe o suficiente
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

O benefício emergencial de R$ 1 mil para caminhoneiros autônomos (BEm-Caminhoneiros) começará a ser pago em nove de agosto. As seis parcelas a serem pagas até dezembro agradaram os profissionais, mas os mesmos enfatizaram que o valor ajuda, porém outras medidas, como o frete por quilômetro rodado, seriam mais eficazes.

Caminhoneiro autônomo, Valdeci Almeida, de 56 anos, acha que se a política atual de frete fosse revista, seria melhor. "Preferia mil vezes o frete por quilômetro rodado do que o auxílio. Ajudaria muito mais. Hoje o frete é fixo. Se uma pessoa pega um frete para Belém, recebe na ida R$ 20 mil e R$ 12 mil na volta, mas na volta gasta diesel e pedágio do mesmo jeito. Se abaixa o diesel, abaixa o frete, é como trocar figurinha. A ANTT fiscaliza o frete e pode brigar por isso para nós."

Os gastos são muitos. "R$ 1 mil não paga nem 120 litros de diesel, para ir para o Mato Grosso gasto R$ 2,5 mil. No mês, com café da manhã, almoço e jantar, gasto R$ 2 mil. Um pneu está R$ 3,5 mil, R$ 4 mil, dependendo de qual é", reclama.

Também caminhoneiro autônomo, Osório Gonçalves da Silva, de 60 anos, está aguardando o pagamento. "Está muito difícil. Aqui o diesel é R$ 7 e no Mato Grosso, Espírito Santo, é tudo mais caro. Lembro quando o valor de um litro de gasolina era o mesmo de três litros de diesel. Carrego aqui em Jundiaí e moro em Itatiba, mas não vou para casa porque o diesel que eu gastar faz diferença na viagem. Estou bastante esperançoso com o auxílio porque vai ajudar. Não é muito, mas ajuda."

Osório garante que toda a documentação está separada caso precise. "Está tudo certinho, já até separei no porta-luvas. O auxílio vai me ajudar a comprar pneu. Antes custava R$ 1,6 mil, hoje custa R$ 2,6 mil. Tenho cozinha no caminhão, a maioria dos caminhoneiros têm. Se eu fosse comer em restaurante todo dia, estava na roça."

Caminhoneiro e mantenedor do próprio caminhão, José Valdir da Silva, de 65 anos, acredita que a iniciativa é boa e a atribui ao governo federal. "Faz diferença, esse é o melhor governo que já vi. Pelo menos está nos ajudando, porque nunca ganhei nada de nenhum presidente. Hoje está ruim manter o caminhão, mas tudo está ruim. Acho que se fosse outro presidente, já teria tido greve geral há muito tempo."

Apesar dos pesares, José consegue manter o caminhão. "Não parei na pandemia em momento nenhum. Estou conseguindo manter, mas não vou em qualquer frete, não pego frete para o Norte. Sou do Rio Grande do Sul e só vou para Santa Catarina, São Paulo ou Rio de Janeiro."

O PAGAMENTO

No primeiro pagamento serão creditadas as parcelas referentes a julho e agosto. As demais parcelas devem ser creditadas em 24 de setembro, 22 de outubro, 26 de novembro e 17 de dezembro. Para receber, os caminhoneiros autônomos precisavam estar devidamente cadastrados no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTR-C) até 31 de maio. Também é necessário que estejam com CPF e CNH regulares.

O benefício será pago pelo Ministério do Trabalho e Previdência e a relação de transportadores contemplados será fornecida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Segundo o Governo Federal, o objetivo do programa é o enfrentamento do estado de emergência decorrente da elevação do preço do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis. Por conta disso a categoria dos taxistas também deve receber um benefício emergencial.

 


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