Jundiaí

Chefs de cozinha fazem seu espaço em meio à tradição

MULHERES Em um universo dominado por homens, elas lutam para mostrar que também podem comandar a cozinha


 DANIEL TEGON POLLI
Elisângela Aparecida acredita que há dificuldade no ramo
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

Uma pesquisa mundial mostrou que apenas 6,04% dos 2.286 restaurantes considerados os melhores do mundo pelo Guia Michelin são comandados por mulheres. Em Jundiaí, muitos restaurantes são comandados por homens, mas mulheres também têm espaço na cidade que tem tradição das nonas e da gastronomia familiar, graças à influência italiana.

Uma das chefs de Jundiaí é Flávia Geraldini, de 39 anos, que atua desde 2005 no ramo. Para ela, há oportunidades para mulheres em restaurantes e há demanda por gastronomia em Jundiaí. "Como Jundiaí é perto de São Paulo e Campinas, sempre escutei que aqui nada dá certo, mas se o público vai para lá, sabe comer bem. Estamos em uma das melhores cidades do país, então tem espaço. Já ouvi 'que bom que não preciso ir para São Paulo toda hora'", comenta ela sobre o espaço calcado por aqui.

Nascida em Belo Horizonte e criada em Jundiaí, Flávia se considera jundiaiense no gentílico e na cozinha. "Com certeza tenho a influência italiana. Acho que Jundiaí vem de uma cultura de gastronomia de cantina italiana, onde só tinham mulheres cozinhando. Então tem uma influência grande de mulheres na cozinha, não de chefs. Sempre cozinhei em casa, mas não pensava em ser chef. Fiz o curso e não parei mais."

EM CASA

Há três anos, a chef Elisângela Aparecida Gomes Fanti, de 47 anos, comanda uma cozinha. Antes disso, ela era contabilista, mas carregava a paixão pela gastronomia desde os cinco anos. "Foi algo passado pela minha avó materna, ela colocava um banquinho ao lado do fogão para eu subir em cima e me ensinava. Sempre gostei de reunir a família, fazer eventos com amigos, mas estou à frente da operação há três anos".

Com uma equipe 100% feminina, Elisângela acredita que há dificuldade no ramo. Natural de Campinas e morando há alguns anos em Itupeva, Elisângela também tem referência italiana, mas gosta de trabalhar de forma autoral. "Tenho uma base italiana, mas gosto muito de ingredientes brasileiros. Temos pirarucu, que é um peixe do Norte, bobó de camarão, que é bastante presente no Nordeste. Temos essa proposta na casa e pretendo trazer ainda mais essa brasilidade aos pratos."

Ana Cristina Dias Ferreira, de 40 anos, cozinha desde sempre e há 20 anos é chef de uma cozinha com proposta caseira. "Sou formada em culinária italiana, fiz estágio na Europa e trabalhei muitos anos em São Paulo. Em Jundiaí, a minha proposta era voltar à comida da minha mãe, da minha avó. Comida caseira, simples, mas bem feita."

Ana ainda vê dificuldades para as mulheres na sociedade, mas vê avanços. "Na minha cozinha só tem mulher, acho que elas têm uma sensibilidade e como nossa comida é mais caseira, não muito técnica, tem essa delicadeza que faz diferença, não desmerecendo o trabalho de homens, que também são muito bons na cozinha."

 


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