Jundiaí

Com cesta básica cara, processados ganham espaço

INFLAÇÃO A compra de biscoitos e salgadinhos teve aumento de 8,4% este ano, enquanto a de verduras caiu 21,5%, legumes 14,5% e frutas 6,9%


 DANIEL TEGON POLLI
Eric Azevedo diz que a venda de processados está cada vez maior, principalmente em quantidade
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

Com a inflação encarecendo os alimentos essenciais da mesa do brasileiro, como leite, arroz, feijão e verduras, produtos ultraprocessados ganharam espaço nas prateleiras dos mercados e já se tornaram os líderes de vendas nos últimos meses.

De acordo com um levantamento da Horus, empresa de inteligência de mercado, a compra de biscoitos e salgadinhos teve aumento de 8,4% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Em contrapartida, a compra de verduras caiu 21,5%, legumes 14,5% e frutas 6,9%.

Ainda segundo a pesquisa, apesar do baixo valor nutritivo, esses produtos são mais baratos e consumidos por famílias de baixa renda. Enquanto isso, os preços dos alimentos mais saudáveis, como verduras e laticínios, estão cada vez mais altos.

Em empórios e mercados de bairros de Jundiaí, além dos biscoitos e salgadinhos, comidas congeladas e macarrão instantâneo também estão presentes nos carrinhos dos clientes. Para o proprietário de um empório no Jardim do Lago, Eric Azevedo, a venda de alimentos ultraprocessados aumentou consideravelmente este ano. "O que mais vendo no meu estabelecimento são alimentos congelados, como lasanhas e macarrão. A procura aumentou muito este ano, principalmente em quantidade. Ano passado os clientes compravam uma lasanha, um pacote de macarrão instantâneo e hoje em dia não é difícil ver alguém enchendo o carrinho com produtos processados", afirma o proprietário.

Com o aumento da demanda, Azevedo afirma que sofre com deficiência destes produtos nas prateleiras do empório. "Atualmente, a demanda está maior que a oferta. Tem semanas que eu fico sem macarrão instantâneo ou produtos congelados e os clientes lamentam. Mesmo eu comprando em maior quantidade dos distribuidores, sempre falta", diz o comerciante.

CUSTO

Enquanto a venda de processados só cresce, alimentos essenciais da cesta básica, como arroz, feijão e leite, não para de cair. Para Azevedo, o principal fator que influencia na queda da procura destes itens é a inflação. "O reajuste de preços dos produtos essenciais é muito superior aos menos saudáveis, como biscoitos, pois não acompanham a inflação da mesma forma. Com a volta às aulas, as vendas aquecem ainda mais. Tenho muitos clientes que compram biscoitos e salgadinhos para os filhos, porque não conseguem comprar frutas todos os dias por conta do preço", conclui Azevedo.

Para o funcionário de outro empório, Francisco Lima, os congelados e biscoitos são os fortes do estabelecimento. "Estes produtos nunca deixam de ter procura, arrisco a dizer que são os líderes de vendas aqui no empório. É muito difícil ter um reajuste de preços tão alto nos processados como acontece nos alimentos essenciais, então a procura sempre é alta", diz.

 


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