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Síndromes e doenças raras desafiam inclusão escolar

Gustavo Amorim | 12/08/2018 | 14:00

A grande quantidade de crianças com síndromes e doenças consideradas raras matriculadas na rede municipal de ensino tem se tornado um desafio para a Prefeitura de Jundiaí. Segundo levantamento da Unidade de Gestão de Educação do município, dos 617 alunos com algum tipo de deficiência inscritos nas Escolas Municipais de Ensino Básico (Emebs) da cidade, 20% (ou 123 crianças) têm patologias incomuns, como a surdo-cegueira, síndrome de West, síndrome de Edwards, trissomia do 19, osteogênese imperfeita (popularmente chamada como ossos de vidro), hipoplasia pulmonar, entre outras. “São diversas”, afirma Vastí Ferrari Marques, gestora da pasta.

Segundo ela, as maiores dificuldades que a rede passa atualmente estão ligadas à capacitação dos professores que têm esses alunos em sala de aula. “Deficiências que nunca tínhamos visto (no ambiente escolar) chegam na escola fortemente (atualmente). Então é uma novidade. E essas crianças estão ali para o convívio social. Nós escolhemos a dedo o professor que vai ficar com essa criança porque não são todos que têm a mão de trabalhar com crianças com deficiência”, diz Vastí.

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Para a psicopedagoga Patrícia Nivoloni, que trabalhou mais de 20 anos com crianças com deficiência nas escolas, essa dificuldade existe e o trabalho com cada uma tem que ser singular. “Cada criança é diferente uma da outra. O professor tem que pesquisar, e é claro que quando a criança tem uma síndrome ou uma doença que não é muito normal, acaba sendo mais difícil. Nós não tentamos ver dificuldades, e sim as qualidades que essas crianças podem desenvolver. O incluir é a criança ser aceita. A capacitação dos professores é primordial” defende.

Suely Angelotti, executiva da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), explica que a entidade oferece espaço de discussão e estudo para cada caso. “É um processo que realmente as pessoas têm de vivenciar. É preciso estudar. É uma dificuldade que o professor tem e tem que correr atrás, assim como o sistema deve fazer também”, diz.

A gestora Vastí Marques concorda que a formação mais adequada é fundamental para melhorar a educação das crianças com algum tipo de deficiência. “Ainda temos um caminho muito longo pela frente. Nós precisamos procurar uma especialização maior, procurar dar uma formação melhor para os nossos professores. E, claro, buscar uma infraestrutura, as adaptações necessárias a cada criança”, diz.

É o caso de Cauã Lima. Aluno da escola Prof. Nassibi Curi, no Fazenda Grande, ele tem nove anos e fica cerca de uma hora e meia na escola, das 8h30 às 10h30. Segundo a mãe, Elisandra Lima, ele é portador de uma deficiência intelectual e auditiva e está aprendendo a se comunicar através da linguagem de sinais com a Márcia, professora estagiária da Rede Municipal de Ensino. “Desde que a professora começou a trabalhar com ele, só este ano, ele melhorou muito o desenvolvimento”, disse Elisandra ao Jornal de Jundiaí.

“Antes eu não estava sentindo isso, mas agora vejo que ele gosta de colocar o uniforme da escola, gosta de ir à escola. Percebo que agora casa e escola estão caminhando juntos”, revela a mãe. Surpresa para Elisandra, entretanto, é a forma que as demais crianças da sala convivem com seu filho. “Elas são super receptivas, brincam, cuidam, são amigos”, diz. A gestora Vastí Marques aponta que a naturalidade infantil no companheirismo aos colegas com alguma deficiência é geral. “As crianças fazem de tudo. Acolhem, ajudam, entendem. É impressionante. E é claro que isso ajuda na inclusão das crianças com deficiência tanto na escola como na sociedade”, afirma.

Para Suely Angelotti, da APAE, movimentos positivos vêm acontecendo. “É claro que a gente melhorou em relação ao passado, mas a gente tem muito a avançar ainda”.

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Gustavo Amorim
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