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Serra do Japi completa 36 anos de tombamento

ISABELA CRISTÓFARO | 15/03/2019 | 05:06

Com seus 354 quilômetros quadrados de área, a Serra do Japi completou 36 anos de tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), no último dia 8 de março.
“Um dos principais desafios é conscientizar e mobilizar a população do que pode ser preservado no local”, afirma Sinésio Scarabello Filho, gestor da Unidade de Planejamento e Meio Ambiente da Prefeitura de Jundiaí.
Reserva biológica de fauna e flora remanescentes da Mata Atlântica, é protegida, também, por lei municipal reeditada em 2017, para garantir a não exploração imobiliária do entorno. Existente em quatro municípios: Jundiaí, Pirapora do Bom Jesus, Cajamar e Cabreúva, em 1992, a área foi tombada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), como patrimônio da humanidade e declarada reserva da biosfera. “Contribui para a qualidade de vida da cidade no que se relaciona à biodiversidade, água e interferência no clima”, reforça.
Por isso, os esforços são voltados para a sua preservação. “Cada área que a Serra abrange apresenta um desafio diferente. No bairro da Santa Clara, por exemplo, é um local permeado por estradas e que há acesso à população, por isso exige vigilância maior”, diz Scarabello.
O gestor destaca a importância de ação conjunta da administração municipal e Guarda Municipal (GM) por meio da Divisão Florestal, responsável pela vigilância e fiscalização da Serra do Japi. De acordo com o setor, os 30 funcionários realizam ações integradas entre a GM, Polícia Militar (PM), Unidade de Gestão de Mobilidade e Transporte (UGMT), Unidade de Gestão de Planejamento e Meio Ambiente (UGPUMA) e Fundação Serra do Japi. “Sempre com o intuito de orientar e proteger, não só o meio ambiente, mas também a população”, afirma, destacando as ações estendidas aos finais de semanas e também feriados.
O gestor parabeniza também o trabalho realizado pela prefeitura de Cajamar, segunda cidade com maior área tombada (43%).
O ambientalista José Arnaldo de Oliveira ressalta a importância que o patrimônio exerce para Jundiaí. Alterações no clima, água e qualidade de vida para a população seriam os primeiros sinais a serem sentidos, caso o local não possuísse ações de fiscalização e preservação.
“Os maiores impactos seriam na qualidade de vida e na relação do homem com o meio ambiente”, diz. “Além disso, há um fator ligado à identidade cultural do local. Pessoas que passam muito tempo longe dizem que, ao ver a silhueta da Serra, o coração chega a bater mais forte”, afirma José Arnaldo.
O especialista destaca alguns fatores que podem ser considerados crime ambiental, como os impactos gerados pela ação do homem na natureza que pode afetar o ecossistema e a sobrevivência da fauna e flora do local, bem como da água e do clima. “No caso da Serra do Japi, pode ser considerado também um crime cultural, porque a Serra tem essa questão por ser considerada um monumento natural”, diz.

DIA MUNDIAL DA AGUA SERRA DO JAPI


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