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536 mulheres foram agredidas por hora em 2018

SIMONE DE OLIVEIRA | 28/02/2019 | 05:00

Pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Instituto Datafolha, revelou que mais de 16 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência ao longo de 2018. A pesquisa ainda aponta que 536 mulheres foram agredidas por hora com socos, empurrões ou chutes neste mesmo período. A delegada da Defesa da Mulher de Jundiaí, Renata Yumi Ono, afirma que as mulheres estão mais corajosas ao denunciar seus agressores, mas salienta a importância da criação de políticas públicas para crianças e adolescentes para inibir a violência de gênero.
Em Jundiaí, as mulheres estão denunciando mais. No último fim de semana, 14 casos de violência foram registrados em apenas dois dias. Para Renata Yumi Ono, há aumento dos casos de violência contra a mulher, assim como as denúncias. Segundo ela, as mulheres não querem mais ficar submissas aos homens, o que aumenta a violência física por parte deles.
“A liberdade financeira, sexual, familiar e até amorosa conferiu a oportunidade para a mulher escolher seu parceiro, não apenas pensando no pretendente como um provedor. Mas, infelizmente, boa parte dos homens expressa essa contrariedade. Com este empoderamento, em todos os sentidos, há um aumento no número de notificações, pois a mulher, hoje, especialmente com as redes sociais, se sente mais encorajada em denunciar seu agressor”, avalia a delegada.
Renata acredita que a criação da lei de feminicídio é uma aliada no combate à violência, mas apenas mudar as leis não está sendo suficiente. “O sujeito que se determina em matar alguém não está pensando nas consequências e, se acaso está, acredita que não será descoberto. Um aliado efetivo seriam as políticas públicas para que crianças e adolescentes fossem educadas para receber a orientação adequada”, analisa.
As delegacias especializadas são essenciais para acolher esta mulher e registrar as denúncias, mas nem todas as cidades possuem este tipo de serviço, o que acaba afastando muitas vítimas. Para a delegada, só o registro não é suficiente, porque a pessoa agredida deve ter respaldo por meio de políticas públicas e casas de apoio.
“É extremamente importante as casas de acolhimento para essas mulheres deixarem este ciclo da violência. É preciso também trabalhar com o homem agressor, pois, sem uma intervenção, ele certamente irá praticar a mesma violência com outra parceira”, diz.

DADOS RELEVANTES
Ainda segundo a pesquisa, os resultados obtidos foram muito semelhantes ao levantamento realizado em 2017. É o que diz a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno. “Os dados indicam que o volume de mulheres vítimas de violência todos os dias é altíssimo, e que mais da metade não busca nenhum tipo de ajuda, nem do poder público, nem da família e dos amigos”.
Para o defensor público e coordenador da Regional de Jundiaí, Fábio Jacyntho Sorge, as campanhas e o apoio da sociedade têm encorajado estas mulheres, que antes tinham vergonha de falar sobre a agressão. “As mulheres são as grandes protagonistas dessa mudança e de fato estão tendo coragem para denunciar.”
Ele também fala da importância de ter casas de apoio para estas mulheres. Elas servem para que após o ataque violento a mulher possa se afastar desse companheiro, sem qualquer preocupação financeira ou pessoal que a faça retornar ao relacionamento abusivo.
“Como se sabe, a violência doméstica funciona como um ciclo, difícil de ser quebrado. Basicamente, ele consiste em três fases, o aumento da tensão, o ataque violento e a chamada lua de mel. Justamente nesta fase, quando o companheiro tenta se redimir das agressões, que outro episódio pode ocorrer”, alerta Sorge.

DOUTORA RENATA YUMI ONO DELEGADA DA DELAGACIA DA MULHER DDM


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