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61% dos internos da Fundação Casa são do tráfico de drogas

FÁBIO ESTEVAM | 17/11/2019 | 05:00

Equiparado a crimes hediondos, o tráfico de drogas é responsável por 61% das internações de adolescentes na Fundação Casa de Jundiaí. Dos 52 internos (dados computados até 12 de novembro), 32 foram apreendidos pelas forças policiais traficando entorpecentes em pontos de venda não apenas de Jundiaí, mas de 14 municípios.

De acordo com o juiz da Vara da Infância e Juventude do município, Jefferson Barbin Torelli, “isso acontece porque o tráfico de drogas é equiparado ao crime hediondo. Vão para a Fundação somente os adolescentes que cometem crimes graves, como os que são praticados mediante violência, grave ameaça e tráfico de drogas”, comentou.

Os números mostram exatamente isso. Ainda de acordo com a instituição, 17 dos internos estão reclusos por roubo qualificado; um por ameaça; um por descumprimento de medida judicial; e um por roubo qualificado tentado. Até 31 de outubro, 102 adolescentes já haviam sido internados neste ano na unidade – nos 12 meses de 2018 foram 191.

Segundo apurou a reportagem do Jornal de Jundiaí, estão inclusos em “grave ameaça” e “mediante violência”, crimes como o estupro. Nesses casos, para preservar a identidade do menor dentro da unidade, para impedir que ele seja agredido por outros internos, a Fundação Casa informou o que é tratado com o infrator. “Quando jovens que cometeram atos infracionais envolvendo abuso sexual são internados, eles são orientados pelas equipes a não comentarem ou trocarem o ato infracional dele por outro delito para não atrapalhar o convívio com os demais”.

Revolta
Em muitos dos crimes cometidos, os jovens são entregues a seus pais na delegacia e vão embora antes mesmo que o flagrante de ato infracional seja encerrado pelo escrivão policial. A notícia, quando divulgada pela imprensa, costuma gerar revolta na população. O juiz Jefferson explicou que, apesar de ser liberado pelo delegado, nem sempre o jovem aguarda decisão judicial em liberdade. “O delegado analisa o caso e, em havendo crime grave, encaminha para a Fundação Casa. Nós no Fórum somos comunicados e iniciamos um processo, o qual tenho 45 dias para encerrar e sentenciar o tempo de reclusão. Tenho por convicção que o jovem precisa de no mínimo 6 meses para se recuperar. Mas geralmente as reclusões são por um tempo maior; de um ano e um ano e meio, mais ou menos”, disse. “Se o delegado naquele primeiro momento entender que o jovem não cometeu crime grave, ele o libera aos pais e nos comunica em no máximo dois dias. Na minha mesa, se eu entender que o crime foi grave, ele é recolhido à internação mesmo depois de ter sido liberado à genitora”.

14 cidades
Com capacidade para receber 64 jovens, a unidade interna, hoje, adolescentes infratores de 14 municípios, a grande maioria de Jundiaí, que são 24 internos; seis de Cajamar e quatro de Várzea Paulista; Campo Limpo Paulista e Itupeva encaminharam para o local três adolescentes cada; São Paulo, Francisco Morato e Itatiba têm dois internados, cada; Cabreúva, Vinhedo, Itu, Franco da Rocha, Caieiras e Louveira têm um, cada.

Idade
A Fundação Casa interna jovens infratores dos 14 aos 21 anos incompletos. Dos 52 internos atualmente, quatro têm 14 anos de idade; cinco têm 15 anos; 13 deles têm 16 anos; 24 jovens têm 17 anos; cinco deles têm 18 anos, e existe apenas um com 19.


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